Trilhos com junta quebrada explicam acidente de trem na Espanha

Falha estruturante nos trilhos é apontada como causa do descarrilamento fatal

Trilhos com junta quebrada explicam acidente de trem na Espanha
Foto: Reuters

Investigação revela que trilhos com junta quebrada foram determinantes no descarrilamento fatal de trem na Espanha que matou 39 pessoas.

Especialistas que investigam o desastre ferroviário ocorrido no domingo (18) na Espanha identificaram que os trilhos apresentavam uma junta quebrada no local do acidente, situação que contribuiu diretamente para o descarrilamento do trem de alta velocidade e a colisão subsequente que matou pelo menos 39 pessoas.

A falha estrutural nos trilhos

A análise técnica realizada no trecho próximo a Adamuz, na província de Córdoba, revelou a existência de desgaste e uma falha na junta entre as seções do trilho, conhecida como talão de junção. Essa junta defeituosa criou uma folga que aumentou com o tempo devido à circulação constante dos trens, configurando uma vulnerabilidade estrutural crítica.

Segundo fontes próximas à investigação, essa falha já existia há algum tempo antes do acidente, o que reforça a suspeita de que o problema foi determinante para o incidente. Fotografias do local mostram claramente o vão no trilho vertical, evidenciando a gravidade da falha.

O acidente e suas consequências

O acidente ocorreu quando os primeiros vagões do trem operado pela Iryo passaram sobre o vão nos trilhos, mas o oitavo e último vagão descarrilaram, arrastando outros dois vagões e culminando na colisão com um trem que vinha na direção oposta. O choque forçou o segundo trem a sair dos trilhos e cair em um barranco, aumentando a gravidade do desastre.

Essa tragédia é considerada uma das piores da Europa em tempos recentes, causando comoção nacional e mobilizando autoridades do mais alto nível, incluindo o primeiro-ministro Pedro Sánchez, que cancelou uma viagem internacional para acompanhar os desdobramentos.

Reações e investigações oficiais

Embora a Comissão Espanhola de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) conduza a apuração oficial, ainda não houve pronunciamentos detalhados sobre a causa do acidente. A operadora ferroviária Iryo, empresa privada controlada majoritariamente pelo grupo italiano Ferrovie dello Stato, também mantém sigilo.

Álvaro Fernández Heredia, presidente da Renfe, empresa que opera o outro trem envolvido, descartou a hipótese de erro humano, ressaltando que o acidente ocorreu em condições “estranhas”. Ele indicou que ainda é cedo para conclusões definitivas.

Manutenção e histórico dos trens e trilhos

O trem da Iryo envolvido no acidente, modelo Frecciarossa 1000, possui menos de quatro anos de uso e passou por inspeção de manutenção rotineira em 15 de janeiro, sem apresentar irregularidades. A linha férrea, por sua vez, foi completamente reformada em maio do ano anterior, segundo informações do Ministério dos Transportes espanhol.

Esses dados reforçam a necessidade de aprofundamento nas investigações, especialmente sobre a integridade dos trilhos e a efetividade das inspeções realizadas.

Impacto e contexto

O acidente na província de Córdoba demonstra os riscos latentes em sistemas ferroviários mesmo modernos e aparentemente bem mantidos. A identificação de uma junta quebrada nos trilhos como fator crucial evidencia a importância de monitoramento rigoroso e manutenção preventiva para garantir a segurança nas linhas de alta velocidade.

O episódio coloca em debate a fiscalização e os protocolos de segurança ferroviária na Espanha, com implicações para toda a Europa, considerando o crescente uso do transporte por trem como alternativa eficiente e sustentável.

A investigação segue em andamento, com expectativa de novos relatórios técnicos e possíveis medidas para evitar que tragédias semelhantes voltem a ocorrer.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Reuters