Trump busca remodelar América Latina para fortalecer domínio dos EUA

Especialista analisa estratégia que resgata Doutrina Monroe e mira influência sobre Brasil, Colômbia, México e Cuba

Trump busca remodelar América Latina para fortalecer domínio dos EUA
Donald Trump durante discurso ao Congresso dos EUA em 2025.

Análise destaca que Trump pretende transformar o hemisfério americano em uma fortaleza exclusiva dos EUA, visando controlar países-chave na América Latina e conter influência da China.

Donald Trump busca remodelar a América Latina para fortalecer a influência dos Estados Unidos e estabelecer o hemisfério americano como uma “fortaleza exclusiva” para os interesses americanos. Essa estratégia, segundo Augusto Teixeira, professor de relações internacionais da UFPB, tem raízes na Doutrina Monroe, reforçada por ações contemporâneas que incluem sanções econômicas e apoio a grupos opositores em países-chave da região.

Retorno à Doutrina Monroe e sua importância geopolítica

A crise recente na Venezuela, desencadeada em 3 de janeiro de 2026, marca um momento de reafirmação da Doutrina Monroe na política externa dos EUA. Esta doutrina, já histórica, é atualizada à luz das prioridades do governo Trump, que pretende exercer pressão coercitiva e manter o hemisfério ocidental sob sua esfera de influência. Países como Colômbia, México, Cuba e Brasil ganham destaque nessa dinâmica, especialmente pelo papel estratégico que desempenham na região e pelos seus vínculos econômicos e políticos com potências estrangeiras, como a China.

Países estratégicos no tabuleiro político americano

Brasil: Considerado peça essencial por ser a maior economia da América Latina e por suas relações crescentes com a China, o Brasil é alvo indireto da política de Trump, que visa conter a expansão da influência chinesa.
Colômbia: Envolvida em tensões recentes, a Colômbia é vista como um aliado fundamental dos EUA para a contenção de movimentos adversos na região.
México: Histórico foco de críticas e estratégias americanas, continua sendo um ponto chave devido à sua posição geográfica e econômica.
Cuba: Permanece no centro das disputas políticas e simbólicas, representando um desafio para a hegemonia americana.

Contexto da Venezuela e desafios para os EUA

Os Estados Unidos conseguiram, segundo Teixeira, remover parte da liderança venezuelana através de ações que ele chama de “decapitação” política, porém o país ainda enfrenta disputas internas que mantêm a situação em aberto. O cenário é complexo, com diferentes facções competindo pela direção do regime, enquanto Washington tenta negociar e manter seus objetivos estratégicos.

Como o Brasil e a China influenciam a nova estratégia americana

Apesar de o Brasil não ser alvo direto das primeiras críticas do governo Trump nesta fase, sua importância no cenário latino-americano é inegável. O relacionamento estreito com a China, principal desafiante à hegemonia americana na região, coloca o Brasil no centro do “tabuleiro de xadrez” geopolítico. Essa ligação é o que, segundo o professor, motiva os esforços dos EUA para remodelar a região conforme seus interesses estratégicos.

Serviço e segurança: o impacto da geopolítica na América Latina

A movimentação dos Estados Unidos para reafirmar seu domínio na América Latina traz consequências práticas que vão desde as relações diplomáticas até os acordos comerciais e a estabilidade regional. A busca por uma “fortaleza exclusiva” na região pode intensificar tensões entre potências globais e afetar diretamente a política interna de países latino-americanos, exigindo atenção redobrada dos governos e da sociedade civil em relação às mudanças geopolíticas.

Este cenário reforça a necessidade de acompanhamento constante das ações de política externa e seus efeitos na América Latina, especialmente para entender as dinâmicas de influência e resistência que moldarão o futuro da região nesta temporada de Verão 2026.

Fonte: noticias.uol.com.br