Especialista destaca governabilidade e apoio militar como fatores decisivos na escolha americana

A escolha de Trump por Delcy Rodríguez para liderar a Venezuela visa garantir estabilidade e evitar conflito civil, segundo especialista.
O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, demonstra uma clara disposição em colaborar com Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, consolidando sua posição após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro. Essa decisão suscita debates sobre os motivos que levaram Washington a preferir Delcy em detrimento da líder opositora María Corina Machado, apontada inicialmente como candidata preferencial dos EUA.
Contexto Político e Escolha Estratégica
Rafael Villa, cientista político da Universidade de São Paulo e especialista em assuntos venezuelanos, destaca que a escolha de Delcy Rodríguez pelo governo americano é pautada na oferta de governabilidade. A líder chavista mantém diálogo estreito com as Forças Armadas, a segurança pública e os serviços de inteligência, elementos cruciais para a estabilidade do país. Já María Corina Machado, apesar de possuir legitimidade eleitoral, não conta com o apoio ou acesso às instituições militares, o que tornaria sua ascensão um fator de instabilidade e potencial conflito civil.
O chavismo se apresenta como um arquipélago dividido em grupos distintos, sendo o de Delcy e seu irmão Jorge Rodríguez, que lidera a Assembleia Nacional, o mais pragmático e negociador. Essa facção historicamente negociou acordos importantes, inclusive envolvendo a oposição e interesses estrangeiros, o que a torna o interlocutor preferencial para o governo Trump.
Pressões Internas e Externas
Delcy se encontra numa posição delicada, equilibrando as exigências de Washington, que visa a retomada dos investimentos e o controle da indústria petrolífera, e as demandas dos setores mais radicais do chavismo, que resistem a qualquer transição política que diminua seu poder. O governo americano utiliza a possibilidade de presença militar e a retomada econômica como estratégias de pressão, mas tais medidas são vistas por especialistas como blefes para garantir concessões estratégicas.
A Constituição venezuelana prevê a realização de novas eleições em até seis meses, mas o regime tem utilizado dispositivos legais para estender mandatos e garantir governabilidade. A possibilidade de eleições ainda em 2026 depende da habilidade de Delcy em consolidar seu controle interno, principalmente sobre grupos paramilitares e de segurança.
Cenário Militar e Traições Internas
A surpreendente facilidade com que tropas americanas invadiram Caracas, capturaram Maduro e causaram baixas mínimas às suas forças levantou suspeitas de falhas de inteligência e possíveis traições dentro do regime chavista. Setores radicais acusam Delcy e membros do alto comando militar de terem permitido a operação, refletindo tensões internas que ameaçam a coesão do governo.
Serviço e Segurança
Para entender o desenvolvimento político na Venezuela durante 2026, é fundamental acompanhar os seguintes aspectos:
Governabilidade: A capacidade de Delcy Rodríguez em manter o apoio das Forças Armadas e controlar os grupos paramilitares será decisiva para a estabilidade.
Pressão Econômica: As negociações envolvendo o capital americano, a influência do capital chinês, russo e iraniano, e o controle da indústria petrolífera impactarão diretamente o futuro político.
Processo Eleitoral: A organização e transparência das eleições previstas dependerão da reforma das instituições eleitorais, um processo complexo e demorado.
Tensões Internas: As disputas entre facções do chavismo podem resultar em mudanças no cenário político, incluindo possíveis traições ou rearranjos de poder.
Impactos da Escolha de Trump pela Venezuela
A decisão do governo Trump em apoiar Delcy Rodríguez reflete uma estratégia pragmática focada na estabilidade e continuidade da exploração de recursos naturais, priorizando a governabilidade sobre a legitimidade eleitoral imediata. Essa escolha evita o risco de uma guerra civil que poderia ser desencadeada pela tentativa de imposição da oposição sem apoio militar.
A longo prazo, o equilíbrio entre os interesses americanos, a resistência do chavismo e a pressão da população venezuelana determinará o rumo da crise política no país. A atuação de Delcy Rodríguez nos próximos meses será crucial para definir se haverá uma transição pacífica ou o aprofundamento do conflito interno.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
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