Análise de John Feeley sobre a mudança na percepção de Trump.

John Feeley, ex-embaixador dos EUA, analisa a relação entre Trump e Bolsonaro, destacando a mudança após a prisão do ex-presidente brasileiro.
A relação entre os Estados Unidos e o Brasil atravessou um período tumultuado, marcado por mudanças abruptas na percepção de Donald Trump sobre Jair Bolsonaro. John Feeley, ex-embaixador dos EUA e respeitado especialista em América Latina, compartilha sua visão sobre essa dinâmica em uma entrevista recente.
A mudança na percepção de Trump
Feeley aponta que a prisão de Bolsonaro foi um divisor de águas. Segundo ele, assim que o ex-presidente brasileiro foi condenado e preso, Trump o descartou, considerando-o um “perdedor”. “Donald Trump não tolera perdedores”, afirma Feeley, ressaltando que a mudança no status de Bolsonaro fez com que Trump deixasse de vê-lo como um aliado relevante na política brasileira.
O ex-embaixador também destaca que a imprevisibilidade de Trump e seu comportamento errático dificultam as negociações. Para Feeley, a reversão de tarifas e sanções impostas ao Brasil é uma demonstração dessa imprevisibilidade: “Acho que Lula teve sorte”, conclui.
A relação Brasil-EUA sob nova luz
As relações entre os dois países foram marcadas por tensões quando os Estados Unidos impuseram tarifas de 40% sobre produtos brasileiros e sancionaram figuras do Judiciário brasileiro. Contudo, essas medidas foram revertidas após a interação entre Lula e Trump, o que Feeley atribui à influência do lobby de Eduardo Bolsonaro em Washington. Essa dinâmica reflete o caráter volátil das relações internacionais sob a administração Trump.
Feeley enfatiza que, apesar das flutuações nas políticas, a relação entre os EUA e o Brasil é crucial para ambos os países. Ele observa que muitos analistas tendem a focar demais nas relações pessoais entre os líderes, mas a realidade é que os interesses dos países transcendem a figura individual de seus governantes.
Implicações para o futuro
O ex-embaixador alerta que, enquanto Lula tenta fortalecer a relação com os EUA, é essencial que ele mantenha uma distância da imprevisibilidade de Trump. Feeley sugere que o Brasil pode se beneficiar ao se posicionar como um exemplo de democracia sólida, em contraste com a instabilidade observada em outros países da região, como a Venezuela.
Ele conclui que a política externa dos EUA sob Trump é marcada por uma falta de estratégia clara e que os líderes devem estar atentos às implicações de suas ações no cenário global. A análise de Feeley fornece uma visão crítica sobre como a política interna e externa pode se entrelaçar, moldando a percepção global de líderes e países.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Arquivo pessoal





