Senador recebe apenas autorização temporária nos EUA, não asilo político formal. Casa Branca prioriza eleições internas americanas.

Aliados de Flávio Bolsonaro esperavam que Trump retomasse sanções contra ministros do STF e concedesse asilo político formal ao senador.
A postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, frustrou aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a saída do senador do Brasil. Entre as expectativas estava a retomada das sanções previstas na Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Aliados de Flávio defendiam a medida sob o argumento de perseguição política, especialmente após Moraes determinar a entrega dos passaportes do senador apenas sete minutos depois de uma decisão judicial relacionada ao caso. O grupo também cogitava sanções contra o ministro Cristiano Zanin, do STF, em razão da prorrogação do horário de votação no dia das eleições.
No entanto, essa iniciativa poderia expor uma contradição política, já que o próprio PL havia solicitado a prorrogação. A Lei Magnitsky permite que governos imponham sanções contra pessoas acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção, funcionando como instrumento de pressão diplomática.
Outra aposta de aliados de Flávio era a concessão de asilo político formal. Até agora, porém, o senador conta com uma autorização de permanência temporária nos Estados Unidos, e não com o reconhecimento formal da condição de asilado. Embora Trump tenha declarado que Flávio pode permanecer no país pelo “tempo que quiser”, não anunciou a concessão de asilo.
A frustração aumentou depois que o presidente norte-americano afirmou não ter planos de se encontrar com o senador. O contraste ficou ainda mais evidente quando Trump declarou manter uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vencedor das eleições brasileiras de 2026. Para aliados de Flávio, os gestos ficaram aquém do apoio político esperado de Washington.
O cenário é influenciado pelas prioridades domésticas de Trump. Nesta terça-feira (3), os Estados Unidos realizaram as eleições de meio de mandato, as chamadas “midterms”, que definiram a composição da Câmara e parte do Senado. Com o controle do Congresso em disputa e a preocupação dos eleitores com inflação, custo de vida e rumos da economia, o presidente norte-americano enfrenta desafios internos que dominam sua prioridade. Ampliar o confronto com o governo brasileiro pode representar um desgaste adicional para a Casa Branca neste momento.






