Trump assume posição ambígua sobre resultado da eleição no Brasil

Presidente dos EUA questiona legitimidade do pleito, mas afirma que não governa o Brasil e que se relaciona bem com Lula

Trump assume posição ambígua sobre resultado da eleição no Brasil
Trump em foto de arquivo. Foto: Medo de prisão fundamenta recuo de Flávio sobre questionar resultado

Donald Trump questionou a legitimidade da eleição brasileira em declarações nesta segunda-feira, mas afirmou que não governa o Brasil e que tem bom relacionamento com Lula.

O presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu uma posição ambígua nesta segunda-feira sobre a eleição brasileira realizada no domingo. Quando perguntado sobre o resultado do segundo turno, Trump questionou a legitimidade do pleito.

“Para mim, pareceu terrível. Eu não tomei partido, mas, francamente, pareceu mais uma eleição fraudada. Foi uma imagem terrível para o mundo. Eleições precisam ser incontestáveis, e isso me pareceu muito ruim. Eu não apoiei ninguém, mas acompanhei a eleição. Pareceu algo corrupto, terrível.”

No entanto, quando indagado se pretendia tomar alguma ação em relação ao resultado, Trump recuou significativamente da posição anterior. “Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Eu gosto de Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, respondeu, referindo-se à extensão de duas horas no período de abertura das urnas ordenada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo fontes ligadas à Casa Branca, a mudança de postura de Trump está relacionada a um eventual reconhecimento da derrota pelo senador Flávio Bolsonaro. A fonte relatou que Flávio estaria “apavorado” com a possibilidade de enfrentar processos judiciais. “Está preocupado com a possibilidade de o pai morrer na prisão, de ele próprio ser preso ainda esta semana e de passar muitos anos na cadeia, considerando que ainda é jovem. Ele tem dois filhos bem pequenos.”

A mesma fonte afirmou que a informação sobre a renúncia de Flávio teria chegado a pessoas na Casa Branca e que ele teria sido informado de que o ministro Alexandre de Moraes não o colocaria na prisão se desistisse de questionar o resultado eleitoral. “Flávio simplesmente não está psicologicamente preparado para enfrentar o risco de ser preso” por ordem do magistrado, segundo a fonte.

O ministro Moraes intensificou as investigações sobre o advogado e empresário Willer Tomaz e sua possível sociedade oculta com Flávio desde o dia 16. O magistrado determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de Tomaz, ordenou quebras de sigilo e, nesta segunda-feira, impôs medidas cautelares diretamente contra Flávio.

As determinações do ministro incluem o cancelamento do passaporte brasileiro de Flávio e a obrigação de entregar eventuais documentos de viagem de outras nacionalidades em 24 horas. O governo americano ainda não reconheceu oficialmente o resultado eleitoral brasileiro, aparentemente aguardando a nova posição de Flávio sobre a questão.