Tse cassa mandato de prefeito por ligação com facção criminosa em Cabedelo

Mandato do prefeito André Coutinho e vice Camila Lucena é cassado por compra de votos e apoio ao grupo Tropa do Amigão, ligado ao Comando Vermelho

Tse cassa mandato de prefeito por ligação com facção criminosa em Cabedelo
Edifício da prefeitura de Cabedelo, cidade da Paraíba. Foto: Reprodução — Foto: Reprodução)

TSE cassa mandato de prefeito e vice de Cabedelo por envolvimento com facção Tropa do Amigão ligada ao Comando Vermelho, com novas eleições em maio.

Entenda a cassação do mandato do prefeito de Cabedelo pelo TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato do prefeito André Luís Almeida Coutinho (Avante) e da vice-prefeita Camila Lucena (PP) de Cabedelo, na Paraíba, por envolvimento em esquema de compra de votos e uso da máquina pública para favorecer a facção criminosa Tropa do Amigão, ligada ao Comando Vermelho. A decisão judicial, anunciada em 2026, marcou novas eleições para 12 de maio, reforçando o impacto da atuação da facção sobre o processo eleitoral local.

Detalhes das provas apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral

Segundo investigação do Ministério Público Eleitoral (MPE), os gestores nomearam pessoas indicadas por líderes da Tropa do Amigão para cargos comissionados e empregos terceirizados na prefeitura. Entre os contratados estava a filha adotiva de um dos principais líderes do grupo criminoso, evidenciando a tentativa deliberada de consolidar a influência da facção na administração municipal. A apuração revelou ainda a oferta de cestas básicas, dinheiro e outros bens materiais aos eleitores, como forma de coação para garantir votos à chapa eleita.

Análise do impacto das irregularidades na legitimidade eleitoral

O relator do caso no TSE, ministro Villas Bôas Cueva, destacou em seu voto que as irregularidades comprometem severamente o equilíbrio e a legitimidade do pleito eleitoral de 2024 em Cabedelo. O envio de comprovantes de votação via celular e a posterior realização de transferências financeiras por Pix para eleitores, em valores que variavam de 80 a 300 reais, configuraram uma clara interferência criminosa no processo de escolha dos representantes municipais.

Papel do vereador Marcio Alexandre de Melo e Silva no esquema criminoso

Além do prefeito e da vice, o vereador Marcio Alexandre de Melo e Silva (União Brasil) teve seu mandato cassado por participação no esquema. Ele foi apontado como integrante da rede que coordenou a compra de votos e a influência da facção Tropa do Amigão sobre a administração pública local, ampliando o alcance das irregularidades para além do executivo municipal.

Perspectivas para as eleições municipais em Cabedelo após a cassação

Com a cassação dos mandatos, novas eleições foram agendadas para o dia 12 de maio de 2026, com o intuito de restabelecer a normalidade democrática na cidade. O episódio destaca a necessidade de medidas rigorosas para coibir a infiltração de organizações criminosas no âmbito político, além de reforçar a importância do monitoramento e da fiscalização do processo eleitoral para garantir transparência e legalidade.

Reações dos envolvidos e implicações políticas

Em nota oficial divulgada antes da decisão definitiva do TSE, André Coutinho negou as acusações, afirmando que sua trajetória política sempre respeitou as instituições e a legalidade, postura também adotada por Camila Lucena. No entanto, a gravidade das evidências apresentadas demonstrou a influência da Tropa do Amigão sobre as eleições, evidenciando um cenário preocupante de criminalização da política local em Cabedelo.