Uso de bioinsumos eleva a produtividade da soja no Paraná em 8,33%

Estudo da Embrapa Soja e IDR-Paraná valida prática de fixação biológica de nitrogênio com aumento significativo na produção

Uso de bioinsumos com fixação biológica de nitrogênio aumenta produtividade da soja no Paraná em média de 8,33% e traz benefícios econômicos e ambientais.

Aumento da produtividade da soja no Paraná com uso de bioinsumos

O uso de bioinsumos na soja, especialmente a fixação biológica de nitrogênio (FBN), tem impulsionado a produtividade no Paraná desde a safra 2015/2016. A Embrapa Soja e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) validam essa prática que, ao longo de uma década, demonstrou aumento médio de 8,33% na produção por meio da coinoculação de sementes com microrganismos benéficos.

O que é a coinoculação e como funciona na prática agrícola

A coinoculação consiste na aplicação conjunta de Bradyrhizobium e Azospirillum, duas bactérias que atuam em sinergia para a fixação biológica de nitrogênio. Bradyrhizobium promove a nodulação nas raízes da soja, enquanto Azospirillum estimula o crescimento das plantas, resultando em maior eficiência na absorção de nutrientes. Essa técnica dispensa o uso tradicional de adubação nitrogenada, reduzindo custos para os produtores e impactos ambientais associados a fertilizantes químicos.

Resultados das Unidades de Referência Tecnológica (URTs) na safra 2024/2025

Na safra 2024/2025, dados coletados em 22 URTs distribuídas em 17 municípios do Paraná indicam que a produtividade média nas áreas coinoculadas chegou a 3.916 kg/ha, superando a produtividade média das áreas sem inoculação que foi de 3.615 kg/ha. Essa diferença reforça a eficácia da tecnologia mesmo considerando variações regionais de solo, clima e sistemas de cultivo.

Impactos econômicos e ambientais do uso de bioinsumos na soja

Segundo os pesquisadores André Mateus Prando e Edivan José Possamai, a adoção da coinoculação gera aumento da rentabilidade ao eliminar a necessidade de fertilizantes nitrogenados, ao mesmo tempo em que contribui para a sustentabilidade ambiental ao diminuir a emissão de gases e a contaminação do solo. Além disso, o método fortalece a agricultura de baixo impacto, fundamental para a conservação dos recursos naturais.

A expansão do uso de bioinsumos entre produtores paranaenses

De acordo com pesquisa de mercado da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), 64% dos produtores no Paraná utilizaram inoculantes na soja na safra 2024/2025, e 28% aplicaram a coinoculação com Bradyrhizobium e Azospirillum. Esse crescimento sinaliza a aceitação crescente da tecnologia no meio rural e seu papel estratégico para a competitividade do agronegócio paranaense.

Contribuições científicas e perspectivas futuras para a fixação biológica na agricultura

Pesquisas da Embrapa Soja conduzidas por Mariangela Hungria e Marco Antonio Nogueira comprovam que a inoculação anual com Bradyrhizobium garante altos níveis de produtividade, mesmo em áreas tradicionais de cultivo, sem necessidade de fertilizantes nitrogenados. A incorporação de Azospirillum através da coinoculação potencializa esses efeitos, apresentando uma alternativa sustentável para o aumento da produção agrícola no Brasil.

A continuidade desses estudos e a difusão das tecnologias de bioinsumos representam um avanço significativo para a agricultura sustentável, com benefícios diretos para a economia rural, o meio ambiente e a segurança alimentar.