Clima tropical e produção em escala elevam a aplicação de defensivos no país, alinhando uso à média global

O uso de defensivos agrícolas no Brasil é influenciado pelo clima tropical e múltiplas safras, justificando níveis alinhados à média global.
Uso de defensivos agrícolas no Brasil: fatores climáticos e produtivos
O uso de defensivos agrícolas no Brasil é fortemente influenciado pelo clima tropical e subtropical, que favorece a proliferação de pragas, fungos e doenças ao longo do ano. Para a safra 2025/26, estima-se o tratamento de 2,6 bilhões de hectares com defensivos, representando um crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior. A pesquisadora Dalilla Rezende, do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais, destaca que as condições climáticas brasileiras demandam intervenções mais frequentes ao longo do ciclo produtivo, diferentemente de países de clima temperado, onde o inverno atua como controle natural das pragas.
Comparação internacional do uso de defensivos agrícolas
Embora o Brasil esteja entre os maiores consumidores em valores absolutos, o uso relativo é compatível com a média global. Dados compilados pela CropLife revelam que o país utiliza em média 7,4 quilos de defensivos químicos por hectare, valor inferior ao registrado na França, que apresenta 13,7 quilos por hectare. Especialistas ressaltam que comparações diretas entre países devem ser feitas com cautela, considerando diferenças climáticas, culturas cultivadas e regulamentos. Gustavo Spadotti, chefe-geral da Embrapa Territorial, comenta que produtos permitidos ou proibidos variam conforme a necessidade agronômica e contexto produtivo, refletindo as particularidades regionais.
Impacto das múltiplas safras no uso de defensivos
O cultivo de diversas safras anuais no Brasil, como o milho que pode ter até três ciclos, intensifica a demanda por defensivos agrícolas. Essa característica contribui para o maior número de aplicações ao longo do ano, diferentemente de países que possuem apenas uma safra principal. A multiplicidade de safras reforça a importância do manejo adequado para evitar o uso excessivo e a resistência de pragas aos produtos.
Evolução dos defensivos e crescimento do mercado de biológicos
Os defensivos agrícolas têm evoluído, tornando-se mais eficientes e menos persistentes no ambiente, com aplicação em quantidades menores. Paralelamente, o mercado de insumos biológicos no Brasil atingiu em 2025 o maior valor histórico, com R$ 6,2 bilhões e aumento de 15% em relação ao ano anterior. A área tratada com biológicos cresceu 28%, alcançando 194 milhões de hectares. Pesquisas acadêmicas buscam alternativas sustentáveis, como o uso de extratos naturais e biofertilizantes, visando complementar e reduzir o uso de defensivos químicos.
Desafios para o uso adequado e perspectivas futuras
Apesar dos avanços tecnológicos, o uso correto dos defensivos ainda enfrenta desafios. A aplicação em culturas não indicadas e o uso indiscriminado podem favorecer a resistência das pragas, comprometendo a eficácia dos produtos. O manejo integrado de pragas e doenças, que combina diversas estratégias, vem ganhando espaço como alternativa para aumentar a eficiência e reduzir impactos ambientais. O desenvolvimento de novas moléculas e métodos complementares requer investimentos e tempo, apontando para uma transição gradual rumo a práticas mais sustentáveis no agronegócio brasileiro.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Pulverização de defensivos • Alf Ribeiro





