Especialistas alertam para o ciclo vicioso entre medicação frequente e agravamento das dores de cabeça

Uso excessivo de analgésicos pode transformar dores de cabeça esporádicas em enxaqueca crônica, afetando a qualidade de vida.
Uso excessivo de analgésicos e agravamento da enxaqueca
O uso excessivo de analgésicos é uma das principais causas da transformação de dores de cabeça esporádicas em enxaqueca crônica, conforme demonstrado pelo estudo Global da Carga de Doenças, Lesões e Fatores de Risco (GBD), divulgado recentemente. Em 2023, cerca de 2,9 bilhões de pessoas no mundo enfrentavam algum tipo de dor de cabeça, o que representa 34,6% da população global. O neurologista Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), alerta que o uso frequente de remédios causa um ciclo vicioso que dificulta a interrupção do problema e impacta diretamente a qualidade de vida dos pacientes.
Mecanismos neuroquímicos da cronificação da enxaqueca
A cefaleia por uso excessivo de medicação ocorre quando o cérebro desenvolve maior sensibilidade aos estímulos dolorosos devido ao consumo recorrente de analgésicos. Esse processo envolve alterações nos sistemas de modulação da dor, provocando mudanças neuroquímicas que aumentam a frequência e a intensidade das crises. Com isso, episódios que antes eram esporádicos tornam-se quase diários, gerando dependência crescente da medicação e agravando o quadro clínico.
Limites seguros para o uso de analgésicos e riscos associados
Especialistas recomendam que analgésicos simples não sejam utilizados por mais de 10 a 15 dias ao mês. Medicamentos específicos para enxaqueca, como triptanos, demandam ainda mais cautela, devendo ser usados idealmente em menos de 10 dias por mês, conforme orienta o neurocirurgião Ulysses Caús Batista, do grupo Kora Saúde. Ultrapassar esses limites aumenta significativamente o risco de desenvolver cefaleia por uso excessivo de medicação, além de elevar o risco de efeitos colaterais graves, incluindo problemas gastrointestinais, renais e cardiovasculares.
Necessidade de acompanhamento médico e abordagem multidisciplinar
Diante da complexidade do quadro, pacientes com crises frequentes devem buscar avaliação médica para diagnóstico preciso e para a definição de tratamentos preventivos. O neurologista Tiago de Paula enfatiza que a retirada dos analgésicos deve ser gradual e acompanhada por uma equipe multiprofissional. Estratégias como o bloqueio do nervo occipital e suporte psicológico são fundamentais para manejar sintomas de abstinência como dor, ansiedade, tremores e febre, garantindo melhor adesão ao tratamento e recuperação da qualidade de vida.
Impactos sociais e a importância da conscientização pública
O fácil acesso a analgésicos sem prescrição contribui para o uso indiscriminado e aumento do problema. A Organização Mundial da Saúde destaca que a enxaqueca é uma das principais causas de incapacidade no mundo, especialmente entre a população em idade produtiva. Campanhas de conscientização sobre os riscos do uso excessivo de medicamentos e informações claras sobre limites seguros são essenciais para evitar a cronificação da doença e reduzir o impacto social e econômico associado.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: REUTERS/Yves Herman





