Com preços em queda, arrecadação dos produtores agrícolas e pecuários deve diminuir neste ano

Apesar da safra recorde de grãos em 2026, o valor da produção brasileira deve cair devido à queda nos preços.
Panorama geral do valor da produção brasileira em 2026
O valor da produção brasileira em 2026 está previsto para recuar, apesar da expectativa de uma safra recorde de grãos, conforme divulgado pelo Ministério da Agricultura. A safra de grãos deve alcançar 353 milhões de toneladas, um aumento de 0,3% em relação a 2025, mas o Valor Bruto da Produção (VBP) estimado é de R$ 1,37 trilhão, 3,6% menor que no ano anterior. Essa queda se deve principalmente aos preços em queda que afetam tanto a agricultura quanto a pecuária. O ministro da Agricultura destaca que ainda há grande incerteza sobre produção e preços, influenciados por fatores climáticos e demanda global.
Impacto da queda nos preços sobre a agricultura e a pecuária nacionais
Na agricultura, o valor de produção das lavouras, que inclui 16 produtos principais, deve cair para R$ 895 bilhões, 4% menos que o recorde de R$ 932 bilhões em 2025 (valores ajustados pelo IGP-DI). A pecuária também deve reduzir sua receita para cerca de R$ 475 bilhões, 3% menor que no ano passado. Entre os produtos agrícolas, a mandioca destaca-se com aumento de 27% no valor de produção, enquanto feijão e banana também apresentam crescimento. Já a laranja e o arroz sofrerão retrações significativas de 36% e 31%, respectivamente. A safra recorde de soja, estimada em 178 milhões de toneladas, contribui para o volume total, mas não eleva os preços devido à oferta alta e estoques nos Estados Unidos.
Desafios do mercado externo e restrições comerciais para a pecuária
A pecuária brasileira enfrenta desafios devido a restrições comerciais impostas pela China, maior importador de carne bovina do Brasil. A cota de importação chinesa de 1,1 milhão de toneladas pode reduzir a competitividade da carne brasileira a partir do segundo semestre, já que, além de uma tarifa de 12%, será aplicada uma sobretaxa de 55%, elevando o custo em 67% para o mercado chinês. Isso força o Brasil a buscar mercados alternativos para cerca de 600 mil toneladas que estão fora dessa cota, o que pode pressionar os preços internos para baixo, especialmente se não houver diversificação ou aumento das exportações para outros destinos.
Destaques regionais e lideranças estaduais no valor da produção
Mato Grosso lidera a lista dos estados com maior Valor Bruto da Produção, estimado em R$ 199 bilhões em 2026, seguido por Minas Gerais (R$ 166 bilhões), São Paulo (R$ 154 bilhões) e Paraná (R$ 151 bilhões). Entre as regiões, a Centro-Oeste concentra R$ 400 bilhões, a Sudeste R$ 358 bilhões e a Sul R$ 312 bilhões. Esses dados demonstram a importância dessas regiões para a economia agrícola nacional e reforçam o papel estratégico do agronegócio no cenário econômico.
Tendências futuras e perspectivas para o setor agrícola e pecuário
A expectativa de uma safra recorde de grãos em 2026 traz otimismo quanto à produção, mas a queda no valor da produção brasileira indica uma pressão negativa sobre a rentabilidade dos produtores. A alta produção não se traduz em maior arrecadação devido à redução dos preços, tanto por fatores internos quanto externos, como a competição internacional e barreiras comerciais. Para o setor de proteínas, a demanda aquecida da indústria de etanol ajuda a segurar preços do milho, mas a concorrência e restrições comerciais limitam o desempenho das exportações. Assim, o setor deve buscar estratégias para ampliar mercados e melhorar a competitividade.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





