Varejo recua 1,5% em abril e interrompe sequência de alta

Queda generalizada nas vendas do comércio contraria previsões do mercado; apenas supermercados e alimentos sustentam indicador

Varejo recua 1,5% em abril e interrompe sequência de alta
Queda generalizada no varejo em abril; supermercados amenizaram retração. Foto: Unsplash

Comércio varejista registra contração de 1,5% em abril, frustrando expectativas de mercado. Dados do IBGE mostram enfraquecimento após três meses de crescimento.

Varejo recua 1,5% em abril e frustra expectativas de mercado

O comércio varejista apresentou retração de 1,5% em abril quando comparado a março, resultado que frustrou as projeções do mercado financeiro, que antecipava uma queda bem menor, de apenas 0,6%. Os dados da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados nesta terça-feira indicam um ponto de inflexão importante após três meses consecutivos de expansão, trazendo os indicadores de volta ao patamar observado no início do ano.

O desempenho fraco contrasta com o movimento registrado nos primeiros meses de 2026, quando o varejo apresentou avanços sucessivos: 0,5% em janeiro, 0,8% em fevereiro e 0,7% em março. Apesar do recuo mensal, a análise de longo prazo mantém perspectivas mais positivas, com acumulado de 12 meses em alta de 1,5% e crescimento de 1% na comparação com abril do ano anterior.

Queda abrangente em quase todas as categorias

A retração de abril caracterizou-se pela amplitude da queda, atingindo praticamente toda a estrutura do varejo. A categoria de combustíveis e lubrificantes registrou a performance mais negativa, com recuo expressivo de 6,2%, revertendo o avanço de 5% observado no mês anterior. Esse movimento refletiu diretamente os efeitos das oscilações internacionais no preço do petróleo sobre a economia doméstica.

Articulos de uso pessoal e doméstico contraíram 4,6%, enquanto equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação recuaram 4,5%. O segmento de móveis e eletrodomésticos apresentou queda de 0,8%, marcando a quinta retração consecutiva nesta categoria, sinalizando uma perda sustentada de dinamismo no consumo de bens duráveis.

Supermercados atenuam cenário recessivo

O resultado global não foi ainda mais deprimido graças ao desempenho robusto da categoria de supermercados, produtos alimentícios e bebidas, que avançou 1,3% no período. Esse movimento reflete a natureza essencial desses bens, que mantêm demanda relativamente estável independentemente das condições econômicas mais adversas. A resistência desse segmento funcionou como amortecedor para o indicador agregado.

Varejo ampliado também decepciona

O segmento expandido do varejo, que incorpora veículos e materiais de construção, também apresentou desempenho negativo, com queda de 0,7%, frustrando expectativas de alta de 0,2%. A categoria de veículos recuou 0,7%, refletindo debilidade na demanda por bens de consumo de maior valor agregado. Materiais de construção sofreram contração ainda mais severa, de 3,6%, indicando arrefecimento no segmento imobiliário e de infraestrutura.

Análise especializada aponta limitações estruturais

Economistas especializados destacam que os dados refletem limitações nas condições de crédito e renda enfrentadas pelos consumidores. A discrepância entre expectativas de mercado e resultados realizados em categorias específicas amplifica essa interpretação. O setor de atacado especializado em alimentos, por exemplo, registrou avanço de apenas 2%, bem abaixo da projeção de 10%, enquanto combustíveis avançaram 1,6% contra expectativa de 7,2%.

Esse padrão sugere um repasse limitado dos efeitos de políticas de distribuição de renda, como os pagamentos de precatórios realizados no final de março. As categorias mais sensíveis ao crédito apresentaram ligeira melhoria em abril, porém categorias dependentes de renda corrente evidenciaram enfraquecimento, configurando um quadro de consumo condicionado por restrições estruturais da economia.

Perspectivas para o segundo trimestre

O resultado de abril estabelece o tom para análises do segundo trimestre, sugerindo início mais moderado após o dinamismo relativo do primeiro trimestre. As limitações observadas no consumo de bens não essenciais e de maior valor agregado reforçam a necessidade de monitoramento das condições de renda e crédito nos próximos meses, elementos determinantes para a trajetória do varejo nos trimestres subsequentes.