Documentos revelam tentativas diplomáticas do Vaticano para mediar saída pacífica do ditador venezuelano

Vaticano negociou asilo de Maduro na Rússia antes da operação dos EUA para evitar instabilidade na Venezuela, aponta investigação.
Vaticano negociou asilo de Maduro na Rússia antes da operação dos EUA
O Vaticano negociou asilo de Maduro na Rússia antes da operação dos EUA, conforme documentos revelados em janeiro de 2026. Segundo informações apuradas, na véspera de Natal, o cardeal italiano Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, procurou representantes americanos para discutir os planos dos Estados Unidos na Venezuela e mediar uma saída pacífica para o ditador Nicolás Maduro. A negociação visava evitar instabilidade e derramamento de sangue no país.
Contexto das negociações e interesses diplomáticos do Vaticano
O cardeal Parolin, que já foi embaixador do Vaticano em Caracas, demonstrou interesse especial na Venezuela durante a conversa com o embaixador dos EUA na Santa Sé, Brian Burch. Parolin questionou se os Estados Unidos buscavam realmente uma mudança de regime e admitiu que Maduro precisava deixar o poder. Ele afirmou que a Rússia estaria disposta a receber Maduro como refugiado, pedindo aos americanos paciência para evitar conflitos graves na região. Esses fatos refletem o papel do Vaticano como mediador em crises internacionais e a complexidade da situação venezuelana diante da guerra na Ucrânia.
Impacto das tensões geopolíticas entre Rússia, EUA e Venezuela
Os documentos indicam que a Venezuela teria se tornado uma peça nas negociações entre Moscou e Kiev, com a Rússia podendo abrir mão do país sul-americano em troca de avanços na Ucrânia. O enfraquecimento do apoio russo à Venezuela nos últimos anos, em meio ao conflito ucraniano, sugere que a oferta de asilo a Maduro seria uma estratégia para assegurar acordos favoráveis. A situação mostra como a crise venezuelana está interligada a dinâmicas globais, envolvendo interesses estratégicos de potências internacionais.
Incertezas sobre a permanência de Maduro no poder e as ações dos EUA
Parolin indicou que Maduro poderia estar disposto a renunciar após as eleições de 2024, embora tenha sido convencido a permanecer pelo ministro Diosdado Cabello. O cardeal expressou perplexidade com a falta de clareza dos planos dos EUA para a Venezuela e pediu garantias para a saída do ditador e proteção à sua família. Contudo, dias após a negociação, os Estados Unidos realizaram ações militares que resultaram na captura de Maduro e sua esposa, fato que marcou uma reviravolta na situação política venezuelana e diplomática.
Desafios financeiros e resistência de Maduro ao asilo na Rússia
Uma das possíveis razões para a recusa de Maduro em aceitar o asilo oferecido na Rússia estaria ligada a restrições financeiras, pois o líder venezuelano teria recursos bloqueados em paraísos fiscais relacionados ao comércio de ouro, sem acesso ao dinheiro na Rússia. Esta limitação financeira pode ter influenciado sua decisão de permanecer na Venezuela apesar das pressões externas.
Papel de Pietro Parolin e perspectivas para a Igreja Católica
Pietro Parolin, segundo na hierarquia do Vaticano e considerado forte candidato para liderar a Igreja Católica após o papa Francisco, demonstrou sua experiência diplomática na condução dessas negociações delicadas. Seu envolvimento destaca a atuação do Vaticano em questões internacionais complexas, buscando soluções pacíficas em cenários de conflito e instabilidade política.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reuters





