Santa Sé enfatiza papel da ONU na gestão de crises internacionais e expressa reservas sobre iniciativa americana
Vaticano rejeita integrar conselho da paz criado por Donald Trump, destacando que a ONU deve liderar mediação em crises.
Em 17 de fevereiro de 2026, o Vaticano rejeitou formalmente integrar o Conselho da Paz, iniciativa internacional promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, explicou que a decisão decorre da natureza singular do Vaticano, que não se enquadra como os demais Estados, além de apontar “questões críticas” na proposta que ainda precisam ser esclarecidas. O Vaticano destaca que a gestão de crises internacionais deve ser prioritariamente conduzida pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Contexto da criação do Conselho da Paz e suas controvérsias
O Conselho da Paz foi apresentado por Donald Trump no Fórum Econômico Mundial em Davos, em janeiro de 2026, com a proposta inicial de supervisionar uma trégua na Faixa de Gaza e coordenar a reconstrução após o conflito entre Israel e Hamas. Desde então, o escopo do conselho foi ampliado para abordar diversos conflitos internacionais, gerando críticas sobre o potencial da iniciativa funcionar como alternativa ou concorrente da ONU. Até o momento, pelo menos 19 países assinaram a carta fundadora do conselho, mas a ausência do Vaticano ressalta dúvidas institucionais quanto ao papel e legitimidade do órgão.
Posição do Vaticano sobre a liderança em crises internacionais
O Vaticano enfatiza que a ONU deve continuar sendo o principal fórum internacional para a administração e resolução de crises globais. Pietro Parolin afirmou que, “em nível internacional, acima de tudo, é a ONU que administra essas situações de crise”. Essa visão reforça o compromisso da Santa Sé com as instituições multilaterais tradicionais e sua cautela frente a iniciativas que possam fragmentar a governança global. A referência à “natureza particular” do Vaticano indica que a Santa Sé busca preservar sua independência e seu papel diplomático singular.
Implicações políticas e diplomáticas da decisão do Vaticano
A recusa do Vaticano em integrar o Conselho da Paz pode influenciar percepções internacionais sobre a iniciativa americana, especialmente quanto à sua aceitação pela comunidade global. A Santa Sé, que mantém papel relevante em diplomacia mundial, sinaliza a importância de respeitar os protocolos multilaterais existentes e destaca que soluções para conflitos devem ser discutidas e conduzidas por órgãos reconhecidos internacionalmente. Essa postura pode ser interpretada como um alerta para que novos mecanismos não desafiem a autoridade da ONU.
Preocupações do Vaticano com a guerra na Ucrânia às vésperas do 4º aniversário
Além do posicionamento sobre o Conselho da Paz, Pietro Parolin expressou preocupação com o conflito na Ucrânia, que completa quatro anos em 24 de fevereiro de 2026. O secretário de Estado pontuou o “considerável pessimismo” em relação a avanços concretos para a paz, ressaltando que, apesar dos diálogos em curso, não há sinais claros de progresso entre as partes envolvidas. Essa declaração reforça o engajamento do Vaticano com a busca por soluções pacíficas em conflitos prolongados e a sua atuação como ator diplomático moralmente preocupado com os desdobramentos globais.





