Questões jurídicas e crises internas definem futuro do chavismo e da presidência interina de Delcy Rodríguez

A transição política na Venezuela enfrenta desafios constitucionais, disputas internas do chavismo e tensões com grupos armados que definirão seu futuro.
As bases da transição política Venezuela e os desafios constitucionais
A transição política Venezuela está vivenciando um momento delicado desde a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro em Nova York. Em 3 de dezembro, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela determinou que Delcy Rodríguez assuma como presidente interina do país diante da “ausência forçada” de Maduro. Contudo, a Constituição nacional exige que a Assembleia Nacional decida sobre a declaração de ausência absoluta do presidente e, caso ocorrida nos primeiros quatro anos do mandato, convoque eleições em até 30 dias. Essa situação gera uma complexa disputa jurídica e política que define os próximos passos do regime chavista, colocando a legitimidade do governo interino em evidência.
Disputas internas do chavismo e o papel dos líderes remanescentes
O chavismo enfrenta uma fase de incertezas e divisões internas após a saída de Maduro do poder ativo. Analistas apontam que o poder está fragmentado entre três grupos principais: os irmãos Rodríguez (Delcy e Jorge), Vladimir Padrino e Diosdado Cabello, que têm igual importância e influencia sem hierarquia clara. A saída gradual de pessoas próximas a Maduro e a busca por fortalecimento político dentro das forças de segurança refletem uma tentativa de reorganização do poder. A união ou ruptura entre esses grupos será decisiva para a estabilidade do governo e a direção que a Venezuela tomará na sua transição política.
Coletivos armados e segurança em um cenário de instabilidade
Os grupos paramilitares conhecidos como coletivos, criados após a tentativa de golpe em 2002, continuam atuando como uma força informal de controle social e segurança, respondendo ao Ministério do Interior. Evidências indicam um armamento progressivo desses grupos, apesar de uma mudança na motivação que antes era ética e moral em defesa da revolução. A fragilidade atual do chavismo e o processo de libertação de presos políticos geram preocupações sobre possíveis reações violentas desses coletivos, especialmente em áreas urbanas controladas por eles. A capacidade das Forças Armadas para conter uma possível instabilidade civil permanece uma incógnita.
Influência externa: Estados Unidos e o controle da transição
Estados Unidos mantêm pressão sobre o regime venezuelano, com recompensas pela captura de Maduro e membros do governo por acusações de narcotráfico e corrupção. Ao mesmo tempo, há indicativos de que Washington apoia uma transição política que envolva a presidência interina de Delcy Rodríguez, visando a estabilização do país antes da realização de eleições. A relação entre interesses externos e internos é delicada, e a presidente interina enfrenta o desafio de equilibrar essa influência com a necessidade de manter apoio da base governista, evitando antagonismos que possam desgastar sua legitimidade.
Perspectivas para eleições e o futuro político da Venezuela
Especialistas apontam que, no cenário atual, não há condições políticas para a realização de eleições em 30 dias após a declaração constitucional de vacância. A oposição está fragilizada, com lideranças dispersas, presas ou no exílio, e a sociedade civil demanda uma transição verdadeira para a democracia que inclua a libertação dos presos políticos e retorno dos líderes. O processo deve ser gradual e complexo, com a possibilidade de manutenção de um regime autoritário adaptado. A dinâmica política interna, aliada à pressão internacional e às condições socioeconômicas, definirá o futuro da Venezuela nos próximos anos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: O presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, cumprimenta seus apoiadores durante um comício para comemorar o Dia da Resistência Indígena, em 12 de outubro de 2025





