Vereadores de Ponta Grossa questionam abastecimento da merenda escolar e prefeitura nega problemas

Denúncias apontam falta de alimentos nas escolas municipais no início das aulas, enquanto a administração municipal garante fornecimento regular

Vereadores de Ponta Grossa questionam abastecimento da merenda escolar e prefeitura nega problemas
Alimentos distribuídos nas escolas municipais de Ponta Grossa para merenda escolar. Foto: Arquivo/Divulgação

Vereadores denunciam falta de merenda escolar em Ponta Grossa no primeiro dia de aula; prefeitura afirma que abastecimento ocorreu normalmente.

Vereadores denunciam problemas na merenda escolar em Ponta Grossa

No primeiro dia de aula do ensino municipal em Ponta Grossa, a merenda escolar em Ponta Grossa esteve no centro de um debate intenso. Vereadores da cidade relataram falta de alimentos nas escolas, apontando que diversas unidades enfrentaram dificuldades para fornecer alimentação adequada aos alunos, incluindo aqueles com necessidades alimentares especiais. O vereador Geraldo Stocco (PV) destacou relatos de escolas que receberam quantidades insuficientes de alimentos, como bisnaguinhas de pão em vez de refeições completas, enquanto outras unidades receberam poucos itens, como dois cachos de banana antes do início das aulas.

A vereadora Joce Canto (PP) também relatou visitas a escolas onde constatou a escassez de frutas, verduras e pães, incluindo casos em que uma escola recebeu apenas 11 bananas para 500 alunos. Ela ressaltou a importância da merenda escolar para muitos estudantes que dependem exclusivamente da alimentação fornecida na escola e criticou o planejamento da Prefeitura e da empresa responsável, afirmando que a responsabilidade de cobrança será mantida.

Prefeitura de Ponta Grossa nega falta de alimentos nas escolas municipais

Em contrapartida, a Prefeitura de Ponta Grossa divulgou uma nota oficial negando qualquer problema no fornecimento da merenda escolar em sua rede pública. Conforme a administração municipal, o abastecimento nas 160 escolas e centros municipais de educação infantil transcorreu normalmente e todas as unidades possuem estoques suficientes para atender a demanda dos alunos. A nota informa ainda que itens como frutas e verduras são repostos diariamente ou semanalmente, conforme o tipo de alimento.

A Prefeitura esclareceu que o atendimento às dietas especiais segue procedimento estabelecido em anos anteriores, com a direção das unidades enviando pedidos específicos para garantir o fornecimento adequado. Profissionais da Secretaria de Educação acompanharam durante todo o dia as atividades nas escolas para fiscalizar o trabalho da empresa responsável pela logística.

Terceirização da logística da merenda escolar e seus impactos na gestão

A terceirização da logística relacionada à merenda escolar em Ponta Grossa tem sido um dos pontos mais discutidos na recente controvérsia. A secretária de Educação, Joana D’Arc Panzarini, explicou que a alimentação continua a ser preparada nas escolas pelas merendeiras, mas que uma única empresa agora centraliza a compra e entrega dos insumos, além da manutenção dos equipamentos e fornecimento de gás. Essa mudança visa agilizar processos e reduzir a complexidade, já que anteriormente mais de 80 fornecedores atuavam no município.

No entanto, vereadores como a Enfermeira Marisleidy (DEM) questionam a eficácia dessa mudança, ressaltando que merenda escolar é base fundamental para o desenvolvimento infantil e que falhas na gestão prejudicam diretamente as crianças. A parlamentar indicou que solicitará explicações formais sobre o cronograma de reposição dos alimentos e a transparência nas entregas.

Reações das escolas e servidores municipais diante da situação

Enquanto os relatos de falta de merenda ganhavam destaque, algumas escolas procuradas pela reportagem afirmaram que não houve desabastecimento. A Escola Municipal Deputado Djalma de Almeida César, mencionada nas denúncias, informou que as crianças do ensino integral almoçaram normalmente e que alunos de turno parcial retornaram para casa para se alimentarem. Outras unidades também indicaram que a chegada de alimentos está dentro do esperado e que reforços devem ocorrer nos dias seguintes.

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ponta Grossa (SindServ) confirmou que recebeu reclamações de profissionais quanto à merenda escolar, revelando uma tensão entre a gestão municipal e os servidores que atuam diretamente nas escolas. Servidoras e merendeiras foram elogiadas pelos vereadores por sua dedicação em lidar com a situação adversa, suprindo as necessidades dos alunos com os recursos disponíveis.

Desafios e perspectivas para a merenda escolar em Ponta Grossa

A divergência entre as denúncias dos vereadores e a versão oficial da Prefeitura destaca desafios na gestão da merenda escolar, que vai além do simples fornecimento de alimentos. A transparência, planejamento adequado, comunicação eficaz e logística eficiente são fundamentais para garantir a segurança alimentar dos estudantes, muitos dos quais dependem exclusivamente da merenda para sua nutrição diária.

Este episódio reforça a importância de um monitoramento constante das políticas públicas voltadas à alimentação escolar, especialmente em municípios de grande porte como Ponta Grossa, onde a complexidade do sistema exige coordenação precisa entre órgãos públicos, empresas terceirizadas e profissionais de educação. A continuidade das cobranças por parte dos vereadores indica que o tema permanecerá em pauta até que as garantias de abastecimento e qualidade sejam plenamente asseguradas.