Virada na CPMI do INSS: Oposição conquista relatoria e governo sofre revés

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) surpreendeu ao definir o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) como relator. A escolha representa um golpe para os planos do governo e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que defendia a indicação de Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para a função.

A nomeação de Gaspar foi articulada pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), eleito presidente do colegiado após uma disputa acirrada contra o senador Omar Aziz (MDB-AM). A eleição de Viana, com 17 votos a 14, já havia sinalizado um possível revés para o governo, uma vez que Aziz era o nome preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A designação de Gaspar consolida uma vitória da oposição, dado seu alinhamento com o campo político bolsonarista. Sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro é notória, figurando inclusive na lista de parlamentares que solicitaram autorização judicial para visitá-lo durante sua prisão domiciliar. Essa ligação levanta questionamentos sobre a isenção na condução dos trabalhos da CPMI.

Ademais, o histórico de Gaspar como relator do caso Ramagem na Câmara adiciona ainda mais peso à sua escolha. Na ocasião, ele buscou impedir o avanço da ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) no Supremo Tribunal Federal (STF), em um processo relacionado a alegações de envolvimento em uma trama golpista.

“Gaspar votou para livrar Ramagem de todos os crimes que responde no STF pela trama golpista”, conforme noticiado, evidenciando seu posicionamento favorável ao parlamentar. A decisão final do STF, contudo, limitou o alcance da medida, restringindo-a aos crimes cometidos após a diplomação de Ramagem, demonstrando os limites da atuação do Congresso frente ao Judiciário.

Fonte: http://www.metropoles.com

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