Ex-banqueiro descreveu esquema de propina por meio de contrato com empresa do Credcesta à PF, que rejeitou delação

Proposta de delação rejeitada pela PF e PGR descrevia transferências mensais de R$ 1 milhão em espécie para grupo ligado ao senador baiano.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro descreveu em uma proposta de delação, rejeitada pela Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República, o pagamento mensal de R$ 1 milhão em espécie para aliados do senador Jaques Wagner (PT-BA).
Segundo a proposta, o valor seria parte de uma engrenagem de propina por meio de um contrato do Master com a PKL One. A empresa é detentora e estruturadora por trás do Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos do estado da Bahia.
O grupo do ex-líder do governo Lula no Senado também teria recebido vantagens por meio da distribuição de lucros e dividendos e de contratos fictícios feitos por Vorcaro para pessoas indicadas por Wagner, incluindo uma operação com a filha do senador e uma empresa offshore.
Ao todo, Vorcaro relata pagamentos de R$ 3 milhões por mês relacionados ao esquema. O ex-banqueiro, no entanto, afirmou à PF não ter presenciado o acerto. As informações teriam sido repassadas por seu ex-sócio Augusto Lima.
O Credcesta foi privatizado em 2018, quando Jaques Wagner era secretário do Desenvolvimento Econômico na Bahia. De acordo com a proposta de delação, Wagner teria tido participação oculta na operação para direcionar a licitação para uma empresa de Augusto Lima.
Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado em junho de 2026 após ser alvo da Operação Compliance Zero. A investigação aponta que o senador teria recebido vantagens econômicas indevidas, direta ou indiretamente, do Master.
Augusto Lima também foi alvo da Compliance Zero e chegou a ser preso preventivamente em novembro de 2025. Vorcaro ficou 11 dias preso e foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mas segue monitorado por tornozeleira eletrônica. Desde então, o empresário teve dois depoimentos desmarcados a pedido da defesa, que alega nunca ter tido acesso aos autos do processo.
Tanto PF quanto PGR rejeitaram a delação do dono do Master sob a alegação de que não foram apresentados elementos suficientes de corroboração. A CNN tentou contato com as defesas de Jaques Wagner e Augusto Lima, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.






