Zema se defende de críticas ao Nordeste durante campanha no Recife

Pré-candidato à Presidência afirma ter apreço pela região e destaca potencial de crescimento econômico e turístico durante evento do Partido Novo

Zema se defende de críticas ao Nordeste durante campanha no Recife
Romeu Zema discursa em evento do Partido Novo no Recife. Foto: Mariane Monteiro — 1 de 1
Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência em evento no Recife, nesta quinta (18) — Foto: Mariane Monteiro/g1

Romeu Zema rebate acusações de desvalorizar o Nordeste, argumentando que a região oferece maior potencial de crescimento econômico por sua proximidade com Europa e EUA.

Romeu Zema, pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, disse nesta quinta-feira (18) no Recife que o Nordeste é onde o Brasil pode mais crescer, rebatendo antigas críticas que fez à região e argumentando sobre seu potencial econômico e turístico.

Durante entrevista coletiva no Recife Expo Center, o ex-governador de Minas Gerais afirmou ter “apreço enorme” pela região Nordeste, buscando encerrar controvérsias que o cercam desde 2023, quando suas declarações foram interpretadas como desvalorizadoras dos estados nordestinos.

As polêmicas que marcam sua trajetória

Em 2023, Zema concedeu entrevista mencionando a formação de um consórcio Sul-Sudeste, o qual descreveu como resposta ao Consórcio Nordeste. Na ocasião, utilizou uma metáfora rural questionável, comparando o tratamento governamental a “vaquinhas que produzem pouco”, em referência implícita aos estados nordestinos. Essa declaração gerou resposta imediata de entidades regionais, que afirmaram perceberem uma “leitura preocupante do Brasil”.

Dois meses antes, Zema havia causado nova polêmica ao afirmar que apenas o Sudeste e o Sul “podem contribuir para o país dar certo”, justificando a posição por uma proporção maior de pessoas trabalhando em relação àquelas recebendo auxílio emergencial.

A defesa e o recuo discursivo

Na campanha pernambucana, Zema reformulou sua narrativa, enfatizando que jamais pretendeu criar “um consórcio anti-Nordeste”. Segundo o pré-candidato, sua intenção original era contribuir para o Brasil como um todo, citando como exemplo o Consórcio Sul-Sudeste que ajudou a idealizar em 2019, quando assumiu Minas Gerais.

O discurso atual destaca argumentos econômicos para justificar o potencial nordestino: proximidade com rotas aéreas internacionais, acesso a mercados europeus e norte-americanos, além de vantagens turísticas ainda não totalmente exploradas.

Contexto político da campanha

A apresentação ocorreu durante encontro estadual do Partido Novo em Pernambuco, deixando clara a estratégia de retomar apoio em região historicamente crítica. As declarações sugerem movimento de recalibragem discursiva antes de eventual disputa presidencial, buscando neutralizar narrativas que o associam a desconsideração pelo Nordeste.

A repositivação de Zema frente à região pode indicar tentativa de construir pontes políticas essenciais para viabilidade nacional de qualquer candidatura presidencial.