Zona sudoeste do Rio enfrenta guerra entre Comando Vermelho e milícias por territórios

Conflitos violentos marcam a disputa por controle na região que é destaque econômico e alvo de projetos milionários

A zona sudoeste do Rio enfrenta intensos conflitos territoriais entre o Comando Vermelho e milícias, afetando a segurança e a vida dos moradores.

Conflito territorial marca a zona sudoeste do Rio de Janeiro

A zona sudoeste do Rio se tornou o epicentro da guerra por território entre o Comando Vermelho e milícias, impactando significativamente a segurança da população local. Criada oficialmente em setembro do ano passado, esta região estratégica é composta por 20 bairros e abriga cerca de 1,2 milhão de habitantes. Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, em 2025, as três maiores comunidades da região registraram uma média de dois tiroteios por mês, resultando em dezenove mortes. No total, a zona sudoeste contabilizou 121 mortes violentas de janeiro a novembro do mesmo ano. Carlos Nhanga, coordenador do instituto, ressalta que o aumento da presença das facções criminosas tem criado um clima de tensão até em áreas antes consideradas seguras, como as praias do Recreio.

Potencial econômico da zona sudoeste e os desafios da violência

A zona sudoeste do Rio é uma potência econômica que responde por uma arrecadação de R$ 3,1 bilhões, considerando impostos como ISS e IPTU. A região engloba bairros valorizados como Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá, além de possuir um mercado imobiliário em crescimento expressivo, destacando-se também no setor de entretenimento. O projeto Imagine, que envolve investimentos de R$ 2,7 bilhões no Parque do Legado Olímpico, é um exemplo da visibilidade e importância econômica local. No entanto, esse cenário promissor convive com o problema crônico da violência, que afeta especialmente as comunidades sob controle de milícias ou do Comando Vermelho, como Rio das Pedras, Muzema e Gardênia Azul, onde a disputa por dominação territorial é intensa e violenta.

Impactos sociais da disputa entre facções criminosas na região

A disputa entre milícias e o Comando Vermelho na zona sudoeste gera um impacto direto na vida dos moradores das comunidades. Além dos frequentes tiroteios, os residentes enfrentam situações como bloqueios por barricadas e cobranças de taxas ilegais para serviços básicos, como acesso à internet e botijão de gás. Em muitos casos, até estacionar em ruas públicas envolve pagamento para grupos criminosos. O mercado imobiliário ilegal movimentou cerca de R$ 10 bilhões em 2025, segundo fontes da Secretaria estadual de Segurança Pública, principalmente controlado pelo Comando Vermelho. Esse ambiente de insegurança tensiona não apenas as favelas, mas também os bairros adjacentes, como Barra da Tijuca e Recreio, que registraram aumento de 22% nos tiroteios no último ano.

Estratégias do estado para retomada dos territórios na zona sudoeste

Diante da crescente violência, o estado do Rio desenvolveu um plano focado na retomada dos territórios conflagrados na zona sudoeste, entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) no final do ano passado. O programa, previsto para iniciar neste trimestre, prioriza não só ações repressivas contra o crime organizado, mas também a oferta de serviços públicos essenciais, incluindo educação, infraestrutura e assistência social. Marcos Paulo Dutra dos Santos, coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio, destaca que essa iniciativa difere de modelos anteriores, pois possui respaldo judicial e orientação para uma execução efetiva. O secretário de Segurança, Victor Santos, enfatiza a urgência da ocupação para evitar a expansão da criminalidade para outros bairros da região.

Desafios históricos e a esperança de uma ocupação permanente na região

A zona sudoeste do Rio já experimentou tentativas anteriores de controle, como o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que não alcançaram resultados duradouros. O novo plano de ocupação, contudo, busca corrigir estas falhas com um enfoque integrado e permanente, combinando segurança com políticas sociais. A expectativa dos moradores é que, desta vez, a presença do poder público seja contínua, garantindo a pacificação e o desenvolvimento da região. O sucesso dessa estratégia será fundamental para assegurar que a zona sudoeste continue sendo um polo econômico vibrante e uma área segura para seus mais de um milhão de habitantes.