Cpi do crime organizado encerra trabalho sem ouvir mais de 90 convidados

Após quatro meses, comissão deixa de ouvir governadores, ministros e outras autoridades convocadas ou convidadas

Cpi do crime organizado encerra trabalho sem ouvir mais de 90 convidados
Sessão da CPI do Crime Organizado no Senado. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

CPI do Crime Organizado encerra quatro meses de trabalho sem ouvir mais de 90 pessoas convocadas ou convidadas, entre elas governadores e ministros.

CPI do Crime Organizado encerra atividades após quatro meses sem ouvir a maioria dos convocados

A CPI do Crime Organizado encerra seus trabalhos nesta terça-feira (14) após quatro meses de funcionamento. Durante esse período, a comissão não conseguiu ouvir mais de 90 pessoas que tinham convocações ou convites aprovados. Entre os convocados que faltaram estão figuras de destaque como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), governadores e especialistas em segurança pública.

O relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE), lamentou a decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), de não conceder a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias, citando o ano eleitoral como motivo. Vieira criticou a medida, afirmando que ela representa um desserviço à população e prejudica o aprofundamento das investigações.

Convocações e ausência de autoridades de peso

Desde o início da CPI, a comissão aprovou a oitiva de pelo menos 110 pessoas. No entanto, apenas 18 já foram ouvidas até o momento. Entre os não ouvidos, destacam-se ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que haviam sido convidados, mas não compareceram. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi ouvido na semana passada, mas o ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, não compareceu após obtenção de habeas corpus.

Além disso, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), também não compareceu às convocações relacionadas às investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Falta de participação dos governadores e secretários de Segurança

A CPI pretendia ouvir ao menos 11 governadores e seus respectivos secretários de Segurança Pública para elaborar um panorama completo do crime organizado nos estados e as estratégias de combate adotadas. Contudo, apenas Jorginho Mello (PL), governador de Santa Catarina, compareceu às audiências. A ausência dos demais governadores e secretários limitou a compreensão das ações estaduais contra o crime organizado.

Impactos da negativa de prorrogação para o andamento das investigações

A recusa do presidente do Congresso em estender os trabalhos da CPI por mais 60 dias prejudicou o aprofundamento das apurações. A proximidade do período eleitoral foi apontada por Davi Alcolumbre como justificativa para o veto, mas isso gerou críticas de membros da comissão e especialistas em segurança pública.

Com o término das atividades, a CPI concluirá seu relatório final com base nas oitivas realizadas, deixando de lado grande parte dos depoimentos que poderiam esclarecer melhor a atuação do crime organizado e as fraudes financeiras investigadas.

Próximos passos da CPI antes do encerramento

Na reta final, está prevista a oitiva do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que poderá fornecer informações relevantes para as investigações. Após essa audiência, será realizada a leitura e a deliberação do relatório final da comissão, que consolidará as conclusões e recomendações para as autoridades competentes.

O encerramento da CPI do Crime Organizado deixa um legado de investigações incompletas e reforça o debate sobre a necessidade de mecanismos mais efetivos de combate ao crime e corrupção em níveis estaduais e federais.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Geraldo Magela/Agência Senado