Recebimento de cacau registra alta de 61% no início de 2026

Oferta de cacau no Brasil cresce significativamente, porém processamento industrial permanece estagnado, revelando desequilíbrio na cadeia produtiva

Recebimento de cacau registra alta de 61% no início de 2026
Produção de cacau em área agrícola no Brasil Foto: Ange Aboa

O recebimento de cacau no Brasil aumentou 61% no primeiro trimestre de 2026, mas a moagem industrial não acompanhou esse crescimento.

Crescimento expressivo no recebimento de cacau no primeiro trimestre de 2026

O recebimento de cacau no Brasil registrou uma alta de 61,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Dados compilados e divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) mostram que a quantidade de amêndoas recebidas somou 28,6 mil toneladas. Ana Paula Losi, presidente-executiva da AIPC, destaca que, embora haja um aumento significativo na oferta, o processamento industrial não evoluiu na mesma proporção, indicando um descompasso na cadeia produtiva.

Concentração da produção e crescimento do Pará como polo produtor

A produção de cacau permanece concentrada em poucos estados, com Bahia e Pará respondendo por mais de um terço do total nacional no primeiro trimestre de 2026. A Bahia lidera com cerca de 16,2 mil toneladas, enquanto o Pará apresenta um crescimento quase 170% na comparação anual, consolidando-se como uma nova fronteira para a expansão da cacauicultura no Brasil. Estados como Espírito Santo e Rondônia ainda possuem participação marginal, reforçando o cenário de concentração produtiva.

Estagnação da moagem evidencia gargalo estrutural na indústria

Apesar da maior disponibilidade de matéria-prima, a moagem de cacau manteve-se praticamente estável em 51,7 mil toneladas no primeiro trimestre, quase sem variação em relação a 2025. Esse cenário revela um gargalo estrutural: o crescimento da produção não se converte em aumento da atividade industrial, o que limita o avanço da cadeia produtiva e pode impactar negativamente os produtores devido à falta de expansão na demanda interna e internacional.

Queda nas importações e exportações sinaliza desafios no mercado internacional

As importações de amêndoas recuaram 37,5% no primeiro trimestre, totalizando 18 mil toneladas, enquanto as exportações caíram 15,4%, com 12,5 mil toneladas embarcadas. A Argentina permanece como principal destino das exportações brasileiras, seguida pelos Estados Unidos e México. Essa redução nas transações comerciais evidencia dificuldades na competitividade e na demanda global por cacau brasileiro.

Impactos para o setor e perspectivas para o desenvolvimento da cadeia produtiva

O Brasil inicia 2026 com maior volume de cacau disponível, porém enfrenta desafios para equilibrar produção, capacidade industrial e mercado consumidor. A ausência de reação na moagem e comercialização levanta preocupações sobre a pressão sobre preços e a possível perda de valor para os produtores. A competitividade no mercado internacional e a ampliação da demanda interna são fatores essenciais para o crescimento sustentável do setor e para o fortalecimento da cadeia produtiva do cacau no país.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Ange Aboa