A rastreabilidade do algodão no Brasil transforma a produção em ativo estratégico para o mercado internacional

O rastreio de algodão brasileiro evoluiu para um ativo global, conectando qualidade e sustentabilidade do campo ao consumidor final.
A evolução do rastreio de algodão brasileiro até 2026
O rastreio de algodão brasileiro tornou-se um ativo global fundamental para o mercado, principalmente nas safras 2024/25 e 2025/26. Silmara Ferraresi, diretora da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), destaca que o setor estruturou a rastreabilidade para garantir credibilidade técnica e competir internacionalmente. Desde 2004, cada fardo recebe uma etiqueta que conecta diretamente o produto à análise laboratorial, permitindo a correspondência exata do lote com suas características de qualidade.
Certificação socioambiental e expansão da cadeia rastreável
Em 2012, o Brasil implementou a certificação socioambiental para as fazendas, atingindo 82% da produção atual certificada. O programa evoluiu para incluir critérios sociais, ambientais e de governança, refletindo a rápida adaptação dos produtores brasileiros. A partir de 2020, a certificação expandiu-se para unidades de beneficiamento e terminais logísticos, garantindo padrões consistentes em toda a cadeia produtiva, da fazenda à exportação.
Investimentos em qualidade e superação de desconfianças internacionais
O Brasil enfrentou dúvidas sobre a precisão dos laudos HVI, padrão global para avaliação da fibra. Para superar isso, foi criado um programa nacional de qualidade com investimento de aproximadamente R$ 50 milhões, estabelecendo uma rede de laboratórios monitorados e calibrados. Hoje, a assertividade dos laudos supera 90%, chegando a 97% em alguns casos, o que é crucial para a posição brasileira no mercado global.
Inovações tecnológicas e conexão com o consumidor final
Mais recentemente, o rastreio ultrapassou o ambiente industrial para alcançar o consumidor, por meio do movimento Sou de Algodão e tecnologias como blockchain. Desde 2021, mais de 620 mil peças foram rastreadas, com registro detalhado de informações em cada etapa da cadeia, da fiação ao varejo. Essa trilha digital garante transparência e reforça a confiança do consumidor na origem e qualidade do produto.
Desafios da indústria têxtil brasileira e competição com fibras sintéticas
Apesar de ser líder mundial na exportação de algodão em pluma, o Brasil enfrenta dificuldades para ampliar sua participação na exportação de produtos têxteis acabados, ocupando a 25ª posição global. Fatores como custos, infraestrutura e competitividade internacional favorecem a importação de produtos prontos, especialmente frente à concorrência asiática. Além disso, as fibras sintéticas, mais baratas, competem diretamente com o algodão natural, embora este ofereça vantagens como conforto e respirabilidade.
Perspectivas para o protagonismo brasileiro na moda e mercado global
O próximo desafio do setor está na construção da imagem do algodão brasileiro e na transformação da força produtiva em maior participação na cadeia de valor da moda. A rastreabilidade e a transparência são ativos estratégicos para conquistar consumidores conscientes. Há um vasto espaço entre a exportação de matéria-prima e de produtos acabados que o Brasil ainda precisa explorar para consolidar seu protagonismo global.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: • Divulgação/Agritech





