Estudo arqueológico entre 2020 e 2023 identificou 151 sítios subaquáticos, destacando a importância estratégica do Estreito de Gibraltar

Investigação arqueológica revelou 124 naufrágios na Baía de Algeciras, destacando seu papel crucial no comércio e conflitos históricos.
Confira a programação completa dos naufrágios na Baía de Algeciras
Século V a.C.: Naufrágio com carga de molho de peixe originada em Cádiz, possivelmente para comércio no Mediterrâneo.
Período Romano: Diversos destroços relacionados ao comércio e navegação da época.
Era Medieval: Evidências de embarcações que usaram a baía como porta de entrada para a Península Ibérica.
Guerras Napoleônicas (início do século XIX): Navios relacionados aos conflitos entre França e seus aliados na região.
- Segunda Guerra Mundial: Restos de um Maiale, submarino italiano utilizado para atacar a frota britânica no Estreito de Gibraltar.
A importância histórica dos 124 naufrágios na Baía de Algeciras
Os 124 naufrágios descobertos ilustram a longa e multifacetada história do Estreito de Gibraltar como uma rota marítima vital entre a Europa e a África. De acordo com o professor Felipe Cerezo Andreo, a baía serviu como um porto estratégico para embarcações que precisavam aguardar condições climáticas favoráveis antes de atravessar o Estreito. As embarcações encontradas refletem diferentes culturas, desde a antiga civilização púnica até períodos modernos, demonstrando a relevância do local para o comércio, transporte e conflitos militares ao longo dos séculos.
Tecnologia avançada no levantamento arqueológico subaquático
A equipe de arqueólogos utilizou avançadas técnicas geofísicas, como ecobatímetros multifeixe para mapeamento tridimensional do fundo marinho e magnetômetros para detectar anomalias magnéticas que indicam a presença de objetos submersos. Esses métodos permitiram uma identificação precisa dos sítios arqueológicos antes da exploração direta, viabilizando um estudo mais detalhado e seguro dos naufrágios. O uso dessas tecnologias foi fundamental para ampliar o conhecimento sobre a história marítima da região, que até recentemente contava com poucos dados arqueológicos.
Impactos das mudanças climáticas na descoberta dos naufrágios
As alterações climáticas têm influenciado as correntes oceânicas e o deslocamento de sedimentos na Baía de Algeciras, o que vem facilitando a revelação de naufrágios antes enterrados. Conforme explicado pelos pesquisadores, esse fenômeno não só promove o aparecimento de novos sítios arqueológicos, mas também representa um risco para a preservação desses patrimônios históricos. A atividade de grandes navios e a movimentação natural dos sedimentos aumentam a vulnerabilidade dos destroços, reforçando a necessidade de registro e proteção rigorosa dos locais identificados.
Perspectivas futuras para a arqueologia subaquática na região
Atualmente, apenas uma pequena fração dos sítios arqueológicos foi estudada detalhadamente, e a equipe pretende ampliar as investigações para profundidades maiores da baía, que chegam a cerca de 400 metros. Estima-se que existam vestígios arqueológicos ainda mais antigos, possivelmente da pré-história, devido à submersão da costa do período Paleolítico. Os pesquisadores planejam aprofundar os estudos, documentar tecnicamente cada naufrágio e implementar medidas de proteção que garantam a conservação desses importantes registros da história marítima entre Europa e África.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Felipe Cerezo Andréo





