federação questiona o uso de perfil criado por inteligência artificial que critica governo lula e apoia bolsonaro

Federação PT, PV e PC do B pede ao TSE retirada do perfil de IA 'Dona Maria' por campanha antecipada e desinformação.
Ação contra perfil de IA dona maria no Tribunal Superior Eleitoral
A federação dos partidos PT, PV e PC do B protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma ação para retirar do ar o perfil “Dona Maria”, criado por inteligência artificial (IA) e com mais de 750 mil seguidores no Instagram. A representação alega que o perfil realiza campanha antecipada, criticando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Poder Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto exalta o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. A ação aponta que a página se apresenta com imagem realista de uma senhora idosa e negra, o que pode induzir o público a acreditar que se trata de uma pessoa real.
Características e posicionamento político do perfil de IA
O perfil “Dona Maria” se define na rede social como “Voz do povo brasileiro de bem” e declara ser um personagem criado por IA, com conteúdo baseado na realidade dos brasileiros e construído junto com a comunidade. No entanto, os partidos argumentam que essa informação não é clara em todas as publicações, facilitando a confusão dos seguidores. Além disso, o perfil tem um viés político declarado, propagando mensagens negativas contra o governo Lula e o Judiciário, e elogios direcionados a Jair Bolsonaro. Segundo os advogados da federação, essa atuação configura uma ferramenta de propaganda política utilizada anonimamente para disseminar desinformação, inverdades e ataques contra figuras públicas.
Argumentos da federação contra o uso da inteligência artificial na campanha
Para o PT, PV e PC do B, o uso do perfil criado por inteligência artificial representa uma prática ilegítima de propaganda política, que se aproveita do anonimato para evitar responsabilização. Além disso, a confusão sobre a veracidade do personagem pode prejudicar o debate público, ao divulgar inverdades e descontextualizações. A ação no TSE busca, portanto, coibir esse tipo de campanha antecipada e garantir a transparência e a legitimidade das comunicações na esfera eleitoral.
Reação do responsável pelo perfil dona maria
Ao tomar conhecimento da ação, Daniel Cristiano, identificado como responsável pelo perfil “Dona Maria”, classificou a iniciativa da federação como um ato de desespero. Ele afirmou que o perfil apenas busca expressar o sentimento de muitos brasileiros, reclamando da vida cotidiana. Cristiano criticou o que chamou de perseguição constante contra a página, ressaltando que a “véia” só queria gravar seus vídeos em paz. Essa manifestação evidencia a polarização em torno do uso de perfis de inteligência artificial nas redes sociais, especialmente em épocas próximas ao período eleitoral.
Impactos e debates sobre o uso de perfis de inteligência artificial na política brasileira
A disputa judicial envolvendo o perfil “Dona Maria” reflete um fenômeno crescente no ambiente digital: o uso de personagens virtuais criados por IA para influenciar a opinião pública. Especialistas alertam para os riscos de manipulação e desinformação, que podem comprometer a integridade do processo eleitoral e a confiança nas instituições. O caso também levanta questões sobre a regulação das novas tecnologias e o papel das plataformas digitais na fiscalização de conteúdos políticos. O desfecho dessa ação no TSE pode estabelecer precedentes importantes para o controle de campanhas antecipadas e o uso ético da inteligência artificial na comunicação política no Brasil.





