Cotação do trigo sobe para maior nível desde junho de 2024

Alta no preço do trigo reflete crise no Oriente Médio e dificuldades climáticas no hemisfério norte

Cotação do trigo sobe para maior nível desde junho de 2024
Campo de trigo simboliza a alta dos preços internacionais do cereal

A cotação do trigo atingiu o maior nível desde junho de 2024, impulsionada por conflitos no Oriente Médio e desafios climáticos.

Impactos geopolíticos e climáticos elevam a cotação do trigo

A cotação do trigo voltou a subir no mercado internacional entre 24 e 30 de abril, atingindo US$ 6,49 por bushel no dia 28, o mais alto desde 4 de junho de 2024. A cotação do trigo tem sido fortemente influenciada pela crise persistente no Oriente Médio e pelas condições climáticas adversas nas regiões produtoras do hemisfério norte. A Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário destaca a relevância desses fatores para essa valorização, que também é sustentada pela intensificação das posições compradas pelos fundos de investimento.

Situação das lavouras de trigo nos Estados Unidos durante abril

Nos Estados Unidos, a cotação do trigo é impactada por um cenário agrícola heterogêneo. Até 26 de abril, 35% das áreas de trigo de inverno estavam em condições ruins ou muito ruins, ao passo que 30% mostravam-se boas ou muito boas. O plantio do trigo de primavera alcançava 19% da área prevista, abaixo da média histórica, com 5% das lavouras germinadas. As exportações americanas somaram 365.156 toneladas na semana encerrada em 23 de abril, elevando o total embarcado para 21,8 milhões de toneladas no ano comercial vigente, superando o ciclo anterior.

Influência do mercado internacional sobre a produção e importação no Brasil

No Brasil, a valorização do trigo no mercado internacional ocorre em meio à entressafra nacional e à redução da área prevista para o próximo plantio. A demanda por recomposição de estoques por parte dos moinhos mantém a procura ativa, apesar da volatilidade nos preços e dos custos elevados de produção. A alta nos preços dos fertilizantes, especialmente nitrogenados, que subiram mais de 60% desde o início da guerra no Oriente Médio, impacta diretamente a rentabilidade do produtor e pode levar à migração para culturas menos dependentes desses insumos.

Custos de produção e consequente efeito na oferta nacional de trigo

O aumento dos custos com fertilizantes e dificuldades logísticas têm pressionado a produção brasileira. Analistas indicam que estas condições podem provocar uma redução de até 16% na produção do país, estimada em 6,6 milhões de toneladas caso as condições climáticas sejam favoráveis. O custo elevado tende a reduzir a área plantada e o investimento em tecnologias, afetando tanto o volume quanto a qualidade do trigo produzido.

Projeções para o mercado brasileiro e desafios na qualidade do trigo importado

A menor oferta interna deve provocar aumento nas importações, com previsão de até 8,2 milhões de toneladas para a safra 2026/27, ultrapassando recordes anteriores. A demanda nacional é estimada em 13,3 milhões de toneladas. A qualidade do trigo importado, especialmente o argentino, tem sido motivo de preocupação devido ao teor inferior de proteína para panificação. Além disso, a capacidade de armazenamento das empresas moageiras é limitada, o que mantém a necessidade constante de importação para o abastecimento.

Cenário futuro e desafios estruturais do mercado brasileiro de trigo

O mercado brasileiro de trigo enfrenta desafios estruturais relacionados aos custos elevados, qualidade e regularidade do fornecimento. A dependência crescente das importações e as limitações logísticas podem afetar a estabilidade do setor, exigindo estratégias para mitigar impactos econômicos e garantir a segurança alimentar. A conjuntura atual reforça a necessidade de ajustes na produção e no abastecimento para acompanhar as variações do mercado internacional e interno.

Fonte: www.agrolink.com.br