Alta do petróleo eleva preços da soja em Chicago e impacta mercado global

A escalada do preço do barril impulsiona óleo e farelo de soja, refletindo tensões geopolíticas e ajustes no comércio internacional

Alta do petróleo eleva preços da soja em Chicago e impacta mercado global
Preços da soja e derivados sob influência do petróleo no mercado internacional

A alta do petróleo eleva os preços da soja em Chicago, impulsionando óleo e farelo diante de incertezas geopolíticas e restrições comerciais.

Impacto da alta do petróleo nas cotações da soja em Chicago

A alta do petróleo, que atingiu o patamar de US$ 120 por barril entre 24 e 30 de abril, influenciou diretamente a valorização da soja na Bolsa de Chicago. O avanço ocorreu em meio à ausência de consenso para o fim da guerra no Oriente Médio, elevando a pressão sobre commodities energéticas e agrícolas. A alta do petróleo impulsionou o preço do óleo de soja, que fechou em 76,36 centavos de dólar por libra-peso, um recorde recente, refletindo a interdependência entre mercados de energia e agroindústria.

Problemas na Argentina e a valorização do farelo de soja

A valorização do farelo de soja também sustentou os preços do grão, impulsionada por dificuldades enfrentadas pela Argentina, principal exportadora mundial do subproduto. Restrições comerciais e inspeções rigorosas, como a rejeição de navios por material genético não aprovado na União Europeia, reduziram a oferta argentina, elevando as compras do farelo norte-americano. Esse cenário gerou aumento de 7,2% no preço do farelo entre 17 de março e 15 de abril, mantendo-o em níveis elevados em Chicago.

Avanços do plantio nos Estados Unidos e perspectivas para a safra

Nos Estados Unidos, o plantio da nova safra de soja avançou aceleradamente, com 23% da área prevista semeada até 26 de abril, superando a média histórica de 12%. Além disso, 8% das lavouras já germinaram, indicando condições favoráveis para o desenvolvimento inicial. Entretanto, as exportações norte-americanas apresentaram queda, totalizando 32,8 milhões de toneladas no ano comercial até 23 de abril, contra mais de 43 milhões no ciclo anterior, evidenciando desafios globais de demanda e oferta.

Influência do câmbio e exportações brasileiras no mercado interno

No Brasil, a cotação do dólar entre R$ 4,95 e R$ 5,00 contribuiu para a estabilidade dos preços internos da soja. No Rio Grande do Sul, a saca de soja foi negociada em torno de R$ 114, enquanto outras regiões registraram valores entre R$ 107 e R$ 113. Paralelamente, as exportações brasileiras cresceram expressivamente, com média diária 12,5% maior em relação ao ano anterior e volume acumulado de 13,7 milhões de toneladas até a quarta semana de abril. A expectativa é que o total mensal atinja recorde de 16 milhões de toneladas, evidenciando a força do Brasil no mercado global.

Ajustes nas carteiras e tendências de mercado diante das incertezas geopolíticas

A Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário aponta que, apesar da alta recente da soja, os fundamentos básicos do mercado apresentam tendência de baixa. No entanto, o reposicionamento dos fundos de investimento, que retornaram à ponta compradora, vem sustentando os preços. Esse movimento reflete a incerteza gerada por fatores geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio, e ajustes nas carteiras de investimento, que impactam diretamente o comportamento do mercado de commodities agrícolas.

Demanda global por farelo e possíveis restrições comerciais na União Europeia

A demanda crescente por farelo de soja na Europa, especialmente por parte de compradores da Holanda, tem impulsionado os preços do produto. No entanto, a rejeição recente de navios com farelo argentino na União Europeia devido à presença de material genético não aprovado gerou preocupação sobre possíveis restrições futuras a produtos brasileiros. Essa situação pode alterar fluxos comerciais e impactar a oferta disponível, reforçando a volatilidade e os desafios enfrentados pelo mercado global de soja e seus derivados.

Fonte: www.agrolink.com.br