Centro-Oeste lidera crescimento da renda média em 2025, refletindo a força do agronegócio e mudanças no mercado de trabalho brasileiro

Em 2025, o Centro-Oeste ultrapassa Sul e Sudeste em renda média, destacando o impacto do agronegócio e as transformações no mercado de trabalho brasileiro.
A renda média Centro-Oeste lidera o país pela primeira vez em 2025
Em 2025, a renda média Centro-Oeste atingiu R$ 4.133, superando as regiões Sul e Sudeste, que registraram R$ 4.026 e R$ 3.958, respectivamente. Essa mudança histórica reflete a força do agronegócio na região e a transformação do mercado de trabalho, que tem aumentado significativamente o rendimento médio habitual do trabalho. Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV/Ibre, destaca o desempenho extraordinário do setor produtivo e a consolidação do Centro-Oeste como centro econômico emergente no Brasil.
Como o agronegócio impulsiona a economia e renda na região Centro-Oeste
O agronegócio, principal motor da economia Centro-Oeste, vem consolidando uma cadeia produtiva robusta que beneficia cidades de médio porte ligadas ao setor. Esse desenvolvimento gerou aumento nos salários e na geração de emprego, revertendo o tradicional eixo econômico que privilegiava o Sul e Sudeste. A cadeia de negócios agropecuários estimula investimentos em infraestrutura, comércio e serviços, criando um ambiente favorável para o crescimento econômico e a elevação da renda média regional.
Mercado de trabalho e ampliação da população com rendimento em 2025
Em 2025, 67,2% da população brasileira recebeu algum tipo de rendimento, o maior percentual desde 2012, correspondendo a 143 milhões de pessoas. A parcela com rendimento proveniente do trabalho formal alcançou 47,8%, com um rendimento médio de R$ 3.560. Essa expansão foi fundamental para o aumento da renda domiciliar média e reflete a resiliência do mercado de trabalho diante das mudanças econômicas e demográficas recentes.
Impactos do envelhecimento populacional e programas sociais na composição da renda
O crescimento da população idosa aumentou a proporção de domicílios dependentes de aposentadorias e pensões, que atingiram 13,8% da população com rendimento médio de R$ 2.697. Os programas sociais continuam fundamentais para 9,1% da população, especialmente no Norte e Nordeste. O valor médio desses benefícios cresceu mais de 70% em termos nominais desde antes de 2020, chegando a cerca de R$ 870. Contudo, o aumento dos benefícios traz desafios para a gestão fiscal e para o incentivo à oferta de trabalho formal.
Persistência da desigualdade e desafios das políticas públicas
Apesar do recorde de renda, a desigualdade permaneceu estável, com o índice de Gini variando de 0,504 para 0,511 entre 2024 e 2025. Os 10% mais ricos concentram 40,3% da massa salarial total, ganhando em média 13,8 vezes mais que os 40% mais pobres. O pesquisador Barbosa Filho destaca que os programas de transferência de renda já atingiram seu limite para reduzir essa disparidade estrutural, indicando a necessidade de novas estratégias para promover maior equidade.
Perspectivas econômicas para 2026 e possíveis efeitos da política monetária
Para 2026, a expectativa é de uma desaceleração no ritmo de crescimento da renda devido à política monetária restritiva e às altas taxas de juros, que indicam um esfriamento da economia. Entretanto, segundo Barbosa Filho, o mercado de trabalho deve manter sua resiliência, evitando aumentos expressivos no desemprego e possibilitando uma acomodação suave das condições econômicas brasileiras.






