Desaceleração no mercado de trabalho formal em abril mostra ritmo lento e gradual

Dados do Caged indicam queda na criação de vagas em abril, mantendo tendência de desaceleração moderada no emprego formal

Desaceleração no mercado de trabalho formal em abril mostra ritmo lento e gradual
Carteira de trabalho (Foto: Marcello Camargo/Agência Brasil)

O Caged revela desaceleração lenta e gradual do mercado de trabalho formal em abril, com saldo de empregos abaixo das expectativas.

Confira a programação completa da criação de vagas formais em abril

Abril: 85.888 vagas líquidas criadas no mercado de trabalho formal
Março: 227.974 vagas líquidas
Abril do ano anterior: 238.216 vagas líquidas
Janeiro a abril: 699.762 vagas líquidas acumuladas em 2026
Janeiro a abril de 2025: 913.827 vagas líquidas acumuladas
Últimos 12 meses até abril: 1.059.860 vagas líquidas criadas

Análise da desaceleração no mercado de trabalho formal em abril

O dado do Caged sobre o mercado de trabalho formal em abril mostra uma desaceleração no ritmo de criação de vagas, com saldo de 85.888 postos, um resultado significativamente inferior ao observado no mês de março e também ao do mesmo mês do ano anterior. Essa desaceleração lenta e gradual reflete uma acomodação do mercado, que permanece em patamares elevados de emprego e renda. André Valério, economista sênior do Inter, reforça que essa tendência indica perda de dinamismo e aponta para um cenário mais restritivo ao longo do ano, influenciado por condições econômicas adversas, como preços e juros elevados.

Impacto setorial da desaceleração da criação de empregos

A desaceleração na geração de postos de trabalho foi generalizada, com destaque para o saldo negativo no comércio e na indústria, enquanto os setores de serviços e construção civil mantiveram saldo positivo, porém com ritmo menor. O aumento nas demissões aliado à redução nas contratações indica uma deterioração gradual do mercado de trabalho formal, conforme análise do economista Leonardo Costa, do ASA. Esse comportamento evidencia que, embora o desemprego continue em níveis historicamente baixos, o mercado mostra sinais de enfraquecimento em algumas áreas econômicas.

Influência da dinâmica salarial na estabilidade do mercado de trabalho

A moderação na dinâmica salarial acompanha essa desaceleração do emprego formal. A XP observa que o salário nominal de admissão cresceu 6,0% ano a ano, mantendo a média dos meses anteriores, enquanto o salário nominal de desligamento subiu 5,4%, abaixo da média vigente no primeiro trimestre do ano. Em termos reais, isso representa estabilidade no salário médio de admissão e queda no salário médio de desligamento, sugerindo um ajuste gradual nas condições salariais, que contribui para o equilíbrio do mercado de trabalho diante da desaceleração observada.

Perspectivas para o mercado de trabalho em 2026

De acordo com projeções, a desaceleração do mercado de trabalho formal deve continuar de forma gradual durante 2026, com expectativa de redução no ritmo médio de criação de empregos formais de cerca de 110 mil para aproximadamente 90 mil vagas por mês. A demanda interna deve seguir resiliente, apoiada por políticas de estímulo à renda e crédito, com previsão total de criação líquida de 1,05 milhão de empregos para o ano. No entanto, riscos de surpresas negativas no desempenho do mercado existem, o que exige monitoramento constante do cenário econômico e do mercado de trabalho.