Fim da escala 6×1 provoca choque momentâneo no varejo, avalia mag investimentos

Alterações na jornada de trabalho geram impactos transitórios no setor varejista, segundo especialista

Fim da escala 6x1 provoca choque momentâneo no varejo, avalia mag investimentos
Sessão da Câmara dos Deputados com discussão sobre a PEC da escala 6×1. Foto: Agência Câmara

Especialistas da MAG Investimentos avaliam que o fim da escala 6×1 trará impacto temporário ao varejo, sem prejuízos estruturais ao PIB.

O que muda com o fim da escala 6×1 para o varejo brasileiro

O fim da escala 6×1, aprovado pela Câmara dos Deputados em 27 de maio de 2026, representa uma mudança significativa na legislação trabalhista, principalmente para o setor varejista. Claudio Pires, sócio-diretor de investimentos da MAG Investimentos, analisa que essa alteração provocará um choque momentâneo no varejo, com impacto inicial nos custos das empresas listadas na Bolsa. Contudo, a expectativa é que a economia absorva rapidamente essas mudanças, minimizando efeitos negativos de longo prazo.

Detalhes da nova jornada e período de transição definido pela PEC 8/2025

A PEC 8/2025 estabelece a redução da jornada semanal para 40 horas e a garantia de dois dias consecutivos de descanso para os trabalhadores. A transição para essa nova regra ocorrerá em até 12 meses, com um corte inicial de duas horas semanais já após 60 dias da promulgação. Essa definição de transição mais rápida do que o mercado previa foi um fator importante para a pressão sofrida pelas ações do varejo. A lei exclui profissionais com nível superior e renda acima de 2,5 tetos do INSS das novas diretrizes.

Repercussão do fim da escala 6×1 no mercado e na economia nacional

O sócio-diretor da MAG Investimentos destaca que apenas cerca de um terço dos trabalhadores brasileiros ainda opera no sistema 6×1, com setores como bancos e seguros já adaptados a outras jornadas. A adequação às novas regras deve gerar um impacto pontual nos custos e preços, mas sem causar retração estrutural no Produto Interno Bruto (PIB). A perspectiva do mercado financeiro é que essa adaptação será de curto prazo e não provocará danos duradouros à economia.

Conflitos e desafios apontados pelo setor produtivo diante da mudança trabalhista

Apesar do otimismo do mercado financeiro, lideranças do setor produtivo manifestam preocupações quanto à rapidez e intensidade das mudanças na mão de obra. Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e associações comerciais apontam que aumentos de custos e reorganizações complexas de turnos podem afetar especialmente negócios menores. Áreas como restaurantes, hotelaria, logística e saúde são consideradas mais vulneráveis às alterações na escala de trabalho.

Comparação internacional e avaliação positiva da MAG sobre a nova legislação

Claudio Pires avalia que a extinção da escala 6×1 aproxima o Brasil das práticas adotadas em países desenvolvidos, onde o formato é raro. Nos mercados emergentes, a incidência da escala 6×1 também é baixa. Para ele, a mudança é positiva e condizente com a evolução das relações trabalhistas, especialmente por não prever contrapartidas financeiras aos setores afetados, o que considera uma decisão acertada.

Próximos passos e expectativa para a implementação da nova regra

Após a aprovação na Câmara, a PEC ainda depende da apreciação do Senado antes de entrar em vigor. O mercado acompanha com atenção as próximas fases legislativas e prepara-se para as adaptações necessárias nas empresas. A transição gradual prevista na lei favorece uma absorção mais suave dos impactos, minimizando riscos de instabilidades econômicas ou operacionais no curto prazo.

O fim da escala 6×1 representa uma transformação relevante nas relações de trabalho no Brasil. Apesar do choque inicial no varejo e em setores sensíveis, a avaliação da MAG Investimentos indica que o efeito será momentâneo, com a economia incorporando as mudanças de maneira rápida e alinhada às práticas internacionais contemporâneas.