Milho enfrenta queda acentuada em Chicago e sofre impacto na B3 com a safrinha

Pressão nas cotações do milho reflete avanço da colheita brasileira e plantio nos EUA, afetando preços em mercados futuros

Milho enfrenta queda acentuada em Chicago e sofre impacto na B3 com a safrinha
Logotipo do mercado agrícola para milho Foto: Notícias Agrícolas

Preços do milho caem na B3 e em Chicago devido a avanço da safra no Brasil e plantio nos EUA, pressionando o mercado futuro.

Impactos da queda dos preços do milho em Chicago e na B3

Milho cai forte nesta sexta-feira, 29 de fevereiro de 2026, com perdas acentuadas tanto na Bolsa de Chicago quanto na B3, refletindo o cenário global e nacional da safra. Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, explica que a combinação entre fatores geopolíticos, o avanço das plantações nos EUA e o início da colheita da safrinha brasileira tem intensificado a pressão nos preços futuros do milho. A conclusão da safra de verão prolongada no Brasil também contribui para essa tendência de baixa.

Dados da safra e ritmo acelerado no Mato Grosso

Segundo informações do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Mato Grosso, maior produtor brasileiro de milho, já colheu quase 2% da área destinada à safrinha 2025/26, em um ritmo mais acelerado que no ano anterior. A expectativa é que a colheita alcance 52,6 milhões de toneladas. Este avanço precoce da colheita aumenta a oferta imediata do produto, adicionando pressão sobre os preços no mercado interno.

Análise dos contratos futuros e perspectivas do mercado

No pregão do dia 29, os contratos futuros do milho registraram quedas entre 0,4% e 0,9%, com o vencimento de julho cotado a R$ 65,42 e o de setembro a R$ 68,11 por saca. Contratos com vencimentos mais distantes mantêm valores acima de R$ 70,00, indicando a expectativa de reaquecimento do mercado no segundo semestre. A demanda interna, impulsionada pelos setores de etanol e rações, promete sustentar o consumo e estimular maior atividade comercial futuramente.

Influência da colheita, estoques e competitividade nas exportações

Palavro destaca que o mercado encontra-se relativamente confortável devido aos estoques elevados herdados da última temporada, o que diminui a liquidez atual. Embora as expectativas para as exportações permaneçam positivas, a competitividade do milho nacional ainda enfrenta limitações que podem impedir o alcance dos volumes projetados. Isso decorre das condições de mercado internacional e dos custos de produção e logística.

Contexto internacional e fatores climáticos impactando os preços

As cotações em Chicago acompanharam a queda do petróleo e refletiram boas condições climáticas no Corn Belt, com cerca de 80% da área já semeada. O mercado foi pressionado por fatores geopolíticos e por notícias sobre redução da qualidade do trigo de inverno nos Estados Unidos, o que também influenciou as commodities agrícolas. A combinação desses elementos resultou em uma semana de baixas contínuas para milho e trigo, reforçando o cenário de cautela dos investidores.

Acompanhar as movimentações do milho no mercado global e interno torna-se crucial para produtores, comerciantes e demais agentes do agronegócio, visto que as decisões relacionadas à comercialização dependem diretamente destas tendências e das condições climáticas e políticas vigentes.

Fonte: www.noticiasagricolas.com.br