açúcar cai com maior oferta global e el niño pressiona mercado

preços do açúcar recuam diante do aumento da produção mundial e riscos climáticos associados ao el niño

açúcar cai com maior oferta global e el niño pressiona mercado
Grãos de açúcar sobre fundo escuro evidenciam a commodity em análise.

Os preços do açúcar caíram devido à maior oferta global e à atenção contínua ao fenômeno El Niño, que pode afetar futuras safras.

Oferta global de açúcar pressiona os preços internacionais

Na terça-feira (2), os preços do açúcar recuaram nas principais bolsas mundiais, evidenciando o impacto da maior oferta global no mercado. O Brasil, liderado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), registrou produção de 2,475 milhões de toneladas no Centro-Sul em abril da safra 2026/27, aumento de 55,3% em relação ao ano anterior. A qualidade da matéria-prima também melhorou, com teor de sacarose crescendo 5,4%.

Além disso, a Tailândia contribuiu significativamente para a oferta global, com exportações entre janeiro e abril de 1,6 milhão de toneladas, 29% maior que no ano passado, reforçando a percepção de abastecimento confortável no curto prazo.

El Niño mantém o mercado em alerta por riscos climáticos

O fenômeno climático El Niño segue no radar dos investidores do setor sucroenergético, devido aos riscos que pode trazer para a produção global nas próximas safras. O serviço meteorológico da Índia revisou para baixo a expectativa de chuvas para a temporada de monções (junho a setembro), o que pode afetar o segundo maior produtor mundial de açúcar.

O monitoramento também inclui Brasil e Tailândia, que podem ter suas produções impactadas. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta 82% de chance de El Niño entre maio e julho, com possibilidade de um “Super El Niño” em 67% das previsões.

Projeções indicam redução na produção brasileira de açúcar para 2026/27

Apesar do desempenho robusto na safra atual, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 43,95 milhões de toneladas para o ciclo 2026/27, queda de 0,5% em relação ao período anterior. A expectativa de maior direcionamento da cana para etanol, cuja produção deve crescer 7,2%, justifica essa retração.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima uma produção ainda menor, de 42,5 milhões de toneladas, 3% abaixo da safra anterior, reforçando o cenário de equilíbrio entre oferta e demanda influenciado pela atratividade do etanol.

Dinâmica entre oferta elevada e riscos climáticos define os preços do açúcar

O mercado de açúcar enfrenta um cenário dual: por um lado, a abundância atual de oferta global pressiona os preços para baixo; por outro, os riscos associados ao El Niño e à potencial redução de produção limitam quedas mais acentuadas nas cotações. Essa dinâmica gera volatilidade e exige atenção contínua dos agentes do setor para ajustar estratégias de produção e comercialização.

Impacto do aumento da produção de etanol sobre o mercado sucroenergético

Com a expectativa de crescimento de 7,2% na produção de etanol na safra 2026/27, as usinas brasileiras tendem a priorizar o combustível renovável em detrimento do açúcar. Essa mudança pode alterar a disponibilidade da commodity no mercado, influenciando preços e volume negociado internacionalmente. O movimento reflete também a busca por maior rentabilidade e resposta às condições climáticas e econômicas vigentes.

Fonte: www.noticiasagricolas.com.br