Agricultura negocia incremento de 10% no orçamento da safra 2026/27

Ministério busca recursos próximos a R$ 570 bilhões com redução nas taxas de juros para o setor empresarial

Agricultura negocia incremento de 10% no orçamento da safra 2026/27
Operações agrícolas no Rio Grande do Sul. Foto: REUTERS — Colheita no Rio Grande do Sul (Foto: REUTERS)

Ministério da Agricultura discute com Fazenda aumento de 10% no Plano Safra 2026/27, podendo alcançar R$ 570 bilhões. Objetivo também inclui reduzir taxas de juros para um dígito.

Agricultura busca crescimento de 10% no Plano Safra 2026/27 com redução de juros

O Ministério da Agricultura está em processo de negociação com o Ministério da Fazenda para ampliar os recursos do Plano Safra 2026/27 em 10% em relação ao período anterior, buscando atingir aproximadamente R$ 570 bilhões para a agricultura empresarial, conforme comunicado por autoridades na terça-feira em São Paulo.

Dimensão do investimento e cenários possíveis

Conforme declarações do secretário-executivo da pasta, a solicitação por aumento de 10% representa a meta ideal em negociação com a Fazenda. Caso esse percentual não seja viável no atual cenário fiscal e econômico, o ministério considera aceitável manter no mínimo a correção inflacionária, que gira em torno de 4%, como forma de preservar poder de investimento no segmento.

Este debate ocorre em contexto de restrições orçamentárias federais e pressões sobre as contas públicas. As negociações refletem a importância política e econômica do setor agrícola para a administração federal, representando 26% do PIB nacional quando contabilizada toda cadeia produtiva.

Redução de taxas de juros em foco

Paralelamente à discussão de volume de recursos, o ministério defende que a taxa máxima de juros do Plano Safra 2026/27 fique limitada a um dígito. A referência utilizada é o programa Move Agro, que oferece financiamento para compra de equipamentos e máquinas com taxa anual pouco superior a 9%.

No ciclo anterior, as taxas variaram entre 8% na linha com menor custo até 13,5% em modalidades como o Moderfrota. A proposta seria reduzir em média 2 pontos percentuais, criando um referencial entre 6,5% e 11% conforme o tipo de operação e modalidade de crédito.

Renegociação de débitos agrícolas

Além das negociações sobre recursos novos e juros, o governo trabalha simultaneamente em projeto de lei que trata da renegociação de dívidas agrícolas acumuladas. O valor inicialmente estimado para essa operação é de R$ 140 bilhões em débitos junto ao sistema financeiro e agências federais.

O objetivo desta iniciativa é destravar o acesso de produtores endividados a novas linhas de crédito, removendo restrições que surgem por conta de pendências. A equação em discussão envolve negociações entre órgãos federais e a Frente Parlamentar do Agronegócio no Congresso para encontrar mecanismos viáveis de alongamento e reestruturação de prazos.

Contexto de pressões globais e domésticas

As negociações ocorrem em momento de pressão tanto doméstica quanto internacional. As autoridades reconhecem que o cenário macroeconômico complexo torna desafiador alcançar todas as demandas do setor simultaneamente. Ainda assim, argumentam que qualquer incremento no Plano Safra representa ganho significativo para a continuidade das operações agrícolas em larga escala.

O agronegócio enfrenta pressões de custos de produção elevados, variabilidade de preços internacionais de commodities e competição global. Neste contexto, linhas de crédito com juros reduzidos e volumes suficientes tornam-se fundamentais para manutenção da competitividade do setor brasileiro no mercado externo.

Próximas etapas das negociações

As discussões continuam entre as pastas federais e poder legislativo. A expectativa é que definições sobre valores finais e condições de juros sejam estabelecidas nos próximos meses para que o Plano Safra 2026/27 seja oficialmente lançado dentro do cronograma previsto pela administração federal.