Trump como apoio não move voto de 65% dos eleitores em 2026

Datafolha aponta que eventual endosso presidencial americano tem impacto limitado na intenção de voto dos brasileiros para as eleições de 2026

Trump como apoio não move voto de 65% dos eleitores em 2026
Flávio Bolsonaro e Lula em encontros separados com Trump. Foto: Reprodução — 1 de 1
Flávio Bolsonaro em encontro com Trump; Lula em reunião com Trump — Foto: Reprodução

Levantamento mostra que apoio de Donald Trump a candidato presidencial brasileiro terá pouco efeito na escolha de voto para maioria dos eleitores

Endorsements americanos têm baixo impacto nas escolhas dos brasileiros

Um levantamento divulgado neste sábado aponta que Trump como apoio presidencial não move a agulha para a maioria dos brasileiros nas eleições de 2026. De acordo com a pesquisa Datafolha, 65% dos eleitores considerariam indiferente qualquer endosso do presidente norte-americano a um candidato à Presidência. Apenas 17% e 15% dos entrevistados apontaram que tal aprovação aumentaria ou diminuiria suas chances de voto, respectivamente.

O estudo entrevistou 2.004 pessoas entre 17 e 18 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais e confiança de 95%. Os dados sugerem que a política externa e as relações diplomáticas exercem influência limitada nas decisões eleitorais domésticas, especialmente quando se trata de aprovação de figuras estrangeiras.

Tensão diplomática marca relacionamento Brasil-Estados Unidos

O cenário revela-se particularmente complexo diante das recentes turbulências nas relações entre os dois países. O governo norte-americano propôs tarifas adicionais contra produtos brasileiros e classificou facções criminosas locais como organizações terroristas. Trump, em declarações públicas, caracterizou o Brasil como um “país politicamente complicado” e descreveu o presidente Lula como uma pessoa “muito volátil”.

A tensão escala quando o líder americano afirmou não se importar com o relacionamento com o brasileiro, contrastando com encontros recentes de ambas as partes em busca de alinhamento político. Esse discurso dúbio reflete a volatilidade das relações bilaterais.

Estratégias paralelas de aproximação com Washington

Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro buscaram estreitar relacionamento com Trump nos últimos meses. O presidente petista realizou encontro privado na Casa Branca em maio, enquanto o senador bolsonarista visitou Washington duas semanas depois. Ambas as abordagens, porém, não resultaram em aprovações públicas que pudessem influenciar significativamente o eleitorado.

Os dois políticos coincidiram na cúpula do G7 realizada na França durante a semana, onde trocaram breve cumprimento sem maiores demonstrações de alinhamento. Trump sequer demonstrou clareza sobre qual Bolsonaro estaria concorrendo, confundindo Flávio com seu irmão Eduardo em declaração pública.

Pesquisa aponta Lula e Flávio em primeiro turno

No primeiro turno, Lula lidera com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%. Cenário de segundo turno mostra Lula com 47% ante 43% de Flávio. Os números demonstram que fatores domésticos predominam na decisão dos eleitores sobre seus candidatos, independentemente de apoios internacionais.