MP quer cerco a facções nas candidaturas de 2026

Ministério Público Eleitoral dá prazo de 10 dias para partidos informarem ações contra infiltração do crime organizado

MP quer cerco a facções nas candidaturas de 2026
Justiça Eleitoral intensifica fiscalização para evitar infiltração de grupos criminosos nas candidaturas. Foto: Giuliano Gomes/PRPress — 1 de 1
Eleição, eleitores, urna, voto, candidatos — Foto: Giuliano Gomes/PRPress

Ministério Público Eleitoral estabelece prazo para partidos informarem medidas contra infiltração de facções e milícias nas eleições de 2026.

O Ministério Público Eleitoral facções criminosas em candidaturas representa uma prioridade crescente da Justiça Eleitoral. Na sexta-feira (26), um documento oficial deu prazo de 10 dias úteis para que as cúpulas partidárias informem quais ações estão sendo adotadas para evitar a infiltração de facções, milícias e outros grupos do crime organizado nas candidaturas de 2026.

Recomendação não é bloqueio automático

A orientação enviada pelo órgão não funciona como mecanismo automático de exclusão de candidatos. Em vez disso, busca antecipar a identificação de suspeitas e responsabilizar partidos que deliberadamente ignorem sinais de envolvimento com o crime organizado. A decisão final sobre registros de candidatura continua sendo prerrogativa exclusiva da Justiça Eleitoral.

Alertas de casos anteriores

A ação do Ministério Público ocorre após incidentes que acenderam o alerta durante pleitos recentes. Em 2024, no município cearense de Santa Quitéria, o prefeito reeleito José Braga Barroso (PSB) e o vice Francisco Gardel Mesquita Ribeiro (PP) tiveram seus mandatos cassados. A investigação apontou que o Comando Vermelho atuou para interferir na disputa municipal, intimidando eleitores e apoiadores da oposição, além de suspeita de compra de votos com entorpecentes. Devido ao comprometimento da normalidade do pleito, a Justiça Eleitoral determinou nova eleição na cidade.

Casos no Rio de Janeiro

No estado do Rio de Janeiro, outro precedente preocupante marcou as eleições municipais de 2024. O candidato a vereador Luiz Eduardo Santos de Araújo, conhecido como Eduardo Araújo (PL), teve seu registro negado em Belford Roxo por envolvimento comprovado com milícia. A Corte Eleitoral rejeitou também outras candidaturas no município pelas mesmas razões.

Estratégia de prevenção

A estratégia adotada agora busca fortalecer o papel dos partidos políticos como filtros de integridade nas filiações e candidaturas. Ao exigir demonstração de ações preventivas, o Ministério Público pressiona as legendas a desenvolverem procedimentos mais rigorosos de análise de antecedentes e conexões dos postulantes. Essa abordagem pretende dificultar a operação de facções que buscam legitimação através de candidatos aparentemente vinculados ao sistema eleitoral.