Em 20 anos, estado norte-americano viu produção despencar de 242 para 12,9 milhões de caixas; experiência oferece insights para combate à doença em São Paulo

A Flórida reduziu sua produção de laranjas em 95% em duas décadas devido ao greening, oferecendo lições cruciais para o combate da doença em São Paulo.
O colapso da laranja na Flórida e o alerta para o Brasil
O greening em laranja transformou a Flórida de maior produtor citrícola dos Estados Unidos em um exemplo de declínio agrícola. Em pouco mais de 20 anos, a produção estadual desabou de 242 milhões para 12,9 milhões de caixas, representando uma queda de 95%.
A trajetória do colapso citrícola americano
A doença, também conhecida como Huanglongbing (HLB), chegou à Flórida na década de 2000 e se disseminou rapidamente entre os pomares. O agente transmissor — o inseto Diaphorina citri — encontrou condições ideais para proliferação no clima subtropical da região. Sem resistência varietal efetiva e com medidas de controle inicialmente inadequadas, a praga conquistou territórios cada vez maiores.
O impacto econômico foi devastador. Propriedades que operavam há gerações foram abandonadas. Processadoras reduziram capacidade. Milhares de trabalhadores deixaram o setor. A erosão foi completa e irreversível em muitas áreas.
O papel da detecção e contenção
Os especialistas apontam que o grande erro foi a demora em implementar protocolos rigorosos de detecção precoce. Plantas infectadas continuaram em circulação nos viveiros, disseminando o patógeno. A falta de quarentena efetiva agravou exponencialmente o cenário.
Medidas complementares como erradicação de plantas doentes, controle químico do inseto-vetor e monitoramento periódico poderiam ter reduzido os danos. Implementadas tardiamente, tiveram impacto limitado.
Lições para São Paulo
A citricultura paulista enfrenta ameaça similar. O estado responde por aproximadamente 80% da produção brasileira de laranja e concentra riqueza econômica significativa no setor. A presença do greening já é detectada em pomares e sua pressão aumenta anualmente.
Diferentemente da Flórida, o Brasil tem oportunidade de antecipar estratégias defensivas. Investimento em pesquisa de variedades resistentes, intensificação do monitoramento de viveiros, campanhas de erradicação voluntária e incentivos a práticas fitossanitárias são medidas viáveis.
Perspectivas futuras
A recuperação da Flórida permanece incerta. Mesmo com pesquisa contínua, a região não regressou a níveis anteriores. O precedente demonstra que perdas desse magnitude deixam marcas duradouras no setor agrícola.
Para São Paulo, o imperativo é claro: aprender com a história internacional e fortalecer defesas antes que o colapso se instale.







