Fepetro-PR mobiliza frentistas contra assédio eleitoral a quatro dias da votação

Federação orienta denúncias ao sindicato e Ministério Público do Trabalho. MPT recebeu 583 denúncias até 24 de setembro.

Fepetro-PR mobiliza frentistas contra assédio eleitoral a quatro dias da votação
Frentistas em mobilização. Foto: Guilherme Gonçalves, Emerson Cervi e Sandro Lunard — Guilherme Gonçalves, Emerson Cervi e Sandro Lunard. Foto: reprodução

A Federação dos Empregados em Postos de Combustíveis do Paraná orienta seus 32 mil frentistas a denunciar ameaças patronais quanto ao voto.

A Federação dos Empregados em Postos de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná (Fepetro-PR) mobiliza sua base contra o assédio eleitoral a quatro dias da votação de 4 de outubro de 2026.

A campanha orienta os cerca de 32 mil frentistas filiados a denunciar ameaças, constrangimentos e pressões patronais para interferir na escolha de candidatos. A mensagem distribuída pela federação afirma: “Seu voto é livre e soberano”.

O presidente da entidade, Lairson Sena, disse ao Blog do Esmael Morais que assédio eleitoral é crime e deve ser tratado como tal. Segundo o dirigente, essa é a razão da campanha, que inclui um vídeo específico para os frentistas.

A orientação é denunciar ao sindicato e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) qualquer tentativa de usar o emprego para controlar a decisão política do trabalhador. O alerta chega à reta final da eleição que escolherá presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

Segundo a orientação do MPT, o assédio pode envolver ameaça de demissão, promessa de benefícios, perseguição por divergência política ou imposição de roupas e materiais de campanha. A pressão também pode ocorrer por meios digitais e em situações relacionadas ao trabalho.

O órgão cita, entre as hipóteses criminais, a oferta de dinheiro ou vantagens em troca de voto ou abstenção. Condutas praticadas para obter ou impedir o voto podem configurar crime eleitoral, além de gerar responsabilização trabalhista. O enquadramento depende dos atos praticados e da apuração de cada caso.

A preocupação tem dimensão nacional. Até a manhã de 24 de setembro, o MPT havia recebido 583 denúncias de assédio eleitoral em 2026. O número corresponde a relatos encaminhados ao órgão, não a 583 crimes comprovados.

A campanha da Fepetro-PR também propõe uma escolha baseada nas condições de vida de quem trabalha. A entidade recomenda examinar as posições dos candidatos sobre o fim da escala 6×1, a defesa do emprego, a valorização do salário mínimo e o combate à precarização.

O Instituto Edésio Passos discute nesta quarta-feira, 30 de setembro, às 20h os contornos jurídicos e políticos do assédio eleitoral em 2026.

Denúncias de assédio eleitoral podem ser encaminhadas ao MPT ou ao sindicato dos trabalhadores.