USDA surpreende com estoques de milho acima do esperado e derruba cotações em Chicago

Soja fecha em queda contaminada pela queda do milho, que recuou 4% no dia. Mercado volta atenção para plantio no Brasil.

USDA surpreende com estoques de milho acima do esperado e derruba cotações em Chicago
Mercado de grãos em Chicago registrou fortes oscilações nesta quarta-feira

Divulgação de dados trimestrais do USDA surpreende com estoques de milho acima das expectativas, provocando realização de lucros em Chicago.

O mercado de grãos registrou fortes oscilações nesta quarta-feira na Bolsa de Chicago (CBOT) após a divulgação dos dados de estoques trimestrais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O milho foi o principal destaque da sessão, com queda próxima a 4% no dia e acúmulo de recuo de 7% ao longo de setembro.

A soja, que operava em alta sustentada por estoques americanos abaixo das expectativas, perdeu força ao longo do pregão contaminada pela queda do milho e fechou no terreno negativo. O relatório trimestral de estoques divulgado pelo USDA surpreendeu os agentes com números acima do esperado para o milho, enquanto a soja veio abaixo das projeções e o trigo alinhado com as estimativas.

Segundo análise de Enio Fernandes, consultor da Terra Agronegócios, o aumento inesperado nos estoques de milho desencadeou uma forte realização de lucros por parte dos fundos de investimento. “Esse surgimento de estoque realmente pegou a gente de surpresa, tanto é que o mercado realizou. Os fundos estavam muito comprados, muito posicionados, e aproveitaram para colocar dinheiro no bolso”, destacou o consultor.

Fernandes ressaltou, porém, que o recuo ocorre em pleno pico da colheita nos Estados Unidos. “Estamos no meio da safra norte-americana de milho, no momento de maior oferta no país que forma o preço internacional. É natural que os preços cedam, mas falar em dezembro a cinco dólares por bushel em plena colheita ainda é um preço bem saudável para o produtor americano”, observou.

A atenção para o milho também se desloca para o Brasil, onde cerca de 80% da colheita total do cereal provém da segunda safra. De acordo com Fernandes, qualquer descompasso no início do plantio da soja pode impactar diretamente a janela ideal da safrinha. O acompanhamento das condições climáticas no Brasil segue como fator determinante para as cotações nos próximos pregões, com o mercado dividindo atenções entre os dados americanos e o calendário de plantio da oleaginosa no país.