TSE identifica 13 candidatos nas eleições de 2026 com contas irregulares no Paraná

Cruzamento de dados entre tribunal eleitoral e tribunal de contas aponta registros em diferentes partidos, mas presença em cadastro não significa inelegibilidade automática

TSE identifica 13 candidatos nas eleições de 2026 com contas irregulares no Paraná
Fachada do Tribunal de Contas do Paraná. Foto: Giuliano Gomes | Arquivo Gazeta do Povo

Cruzamento de dados do TSE e TCE-PR identificou 13 candidatos com contas irregulares nas eleições de 2026. Registros envolvem deputados estaduais, federais e vice-governador.

Um cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) identificou 13 candidatos nas Eleições de 2026 que aparecem no Cadastro de Contas Irregulares do órgão fiscalizador. Os registros envolvem diferentes partidos políticos e candidatos que disputam os cargos de deputado estadual, deputado federal e vice-governador.

A presença no cadastro não gera inelegibilidade automática perante o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR). Cabe à Justiça Eleitoral analisar, em cada caso, se estão presentes os requisitos para o deferimento ou eventual indeferimento do registro de candidatura.

A advogada especialista em Direito Eleitoral Marcela Senise Martins explica que os partidos conhecem a distinção entre uma penalidade administrativa e um impedimento eleitoral de fato. Segundo ela, a Justiça Eleitoral não vai barrar um político apenas porque o nome dele está em uma lista do Tribunal de Contas.

“A Justiça Eleitoral não vai barrar um político apenas porque o nome dele está em uma lista do Tribunal de Contas. Para atrair a Lei da Ficha Limpa, a condenação precisa envolver três fatores obrigatórios: decisão definitiva, demonstração de ato doloso — que é a intenção de cometer a irregularidade — e ter gerado prejuízo ao erário com ordem de devolução de recursos.”

Se o processo no TCE-PR resultou apenas em multa administrativa ou não comprovou que a ação prejudicou uma instituição pública, o candidato permanece apto a disputar o pleito. A análise depende das circunstâncias e do enquadramento jurídico de cada caso.

Entre os 13 candidatos identificados, há casos com um único registro e outros com mais ocorrências na base do TCE-PR. O Partido Progressista (PP) conta com 3 candidatos no cadastro, incluindo Paulo Mac Donald Ghisi, que concorre a deputado estadual com 3 registros na base do tribunal de contas.

Uma decisão do Tribunal de Contas não produz, isoladamente, uma declaração de inelegibilidade. A avaliação final cabe à Justiça Eleitoral, que examinará cada registro conforme os critérios estabelecidos pela legislação eleitoral brasileira.