Defesa Civil registra 173 desastres no Paraná até setembro com El Niño intensificado

Estado soma 253 municípios atingidos e cerca de 300 mil pessoas afetadas em 2026. Coronel Ivan Ricardo Fernandes aponta fenômeno como principal causa.

Defesa Civil registra 173 desastres no Paraná até setembro com El Niño intensificado
Temporal atinge região do Paraná com ventos acima de 100 km/h. Foto: Esmael Morais

Paraná registra 173 desastres em setembro, número acima das 138 de agosto. El Niño intensificado é apontado como principal causa.

O Paraná entra em outubro sob alerta de agravamento climático após somar 173 registros de desastres até 29 de setembro, número superior às 138 ocorrências de agosto, segundo a Defesa Civil do Paraná.

O coordenador-executivo do órgão, coronel Ivan Ricardo Fernandes, apontou a intensificação do El Niño como principal causa dos eventos extremos. Segundo o coronel, o fenômeno deve atingir o pico no verão.

Em 2026, os temporais já atingiram 253 municípios paranaenses e afetaram cerca de 300 mil pessoas, de acordo com a Defesa Civil. Levantamento atribuído ao órgão registra 11 mortes apenas em setembro.

O advogado Rafael Paião, de 42 anos, foi confirmado morto pela imprensa após ser atingido pelo desabamento de parte da estrutura de uma quadra de tênis durante o temporal em Umuarama.

Segundo balanço da Defesa Civil, 18.782 pessoas foram afetadas em 46 municípios, 3.087 casas foram danificadas, 340 pessoas ficaram desalojadas e 26 precisaram de abrigo público. Clevelândia e Pinhão decretaram situação de emergência.

O Simepar analisou imagens de danos registrados em Toledo, Altamira do Paraná, Ivaiporã, Umuarama e Piraí do Sul, além de dados de radar e satélite, e não encontrou indícios de tornado em nenhum dos casos.

Uma linha de instabilidade atravessou o estado a partir da tarde de 29 de setembro, durante a passagem de uma frente fria, com rajadas acima de 100 km/h em pelo menos duas estações: 105,12 km/h em Santa Maria do Oeste, às 17h15, e 101,5 km/h em Umuarama, às 16h.

O granizo deixou estragos em várias localidades. Em Clevelândia, o fenômeno afetou 6.150 pessoas e danificou 1.565 casas. Guarapuava registrou 1.110 pessoas afetadas e 281 residências com danos. Pinhão contabilizou 1.064 pessoas atingidas e 230 casas danificadas.

São Miguel do Iguaçu teve 430 pessoas afetadas, 210 desalojadas e 20 desabrigadas após o vendaval de 29 de setembro. Campo Bonito somou 5.801 pessoas afetadas e 51 casas danificadas. Medianeira registrou 1.008 pessoas atingidas e 500 residências com danos.

Em Apucarana, um dos temporais mais severos do mês afetou 21.020 moradores e danificou cerca de cinco mil residências, segundo a Defesa Civil Estadual. A cidade foi atingida por um fenômeno conhecido como downburst, com ventos de até 124,9 km/h, que derrubaram árvores e causaram destruição generalizada.