Analista alerta para risco de novo excesso no mercado de arroz após alta de preços

Saca ultrapassa R$ 80 no Rio Grande do Sul e mercado reduz área de plantio, mas recuperação pode estimular novo aumento de produção

Analista alerta para risco de novo excesso no mercado de arroz após alta de preços
No Rio Grande do Sul, a saca voltou a superar R$ 80

Mercado de arroz entra em fase de equilíbrio após dois anos de produção elevada e pressão sobre preços. Analista aponta risco de novo excesso se recuperação das cotações estimular novamente o plantio.

O mercado de arroz entra em uma fase de maior equilíbrio após dois anos marcados por produção elevada, estoques confortáveis e pressão sobre preços e margens, segundo análise de Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz. A reação das cotações ganhou força à medida que a intenção de plantio passou a indicar possível redução de área no Mercosul e menor produção nos Estados Unidos.

No Rio Grande do Sul, a saca voltou a superar R$ 80, enquanto negócios para exportação chegaram à faixa de R$ 90 CIF Porto de Rio Grande. Em Chicago, os preços também mostraram maior firmeza, mesmo durante a colheita americana.

A recuperação, porém, abre uma dúvida para o setor. De acordo com Cardoso, a melhora das cotações pode estimular novamente o plantio e reduzir a retração de área que ajudou a sustentar o movimento atual.

“Esse comportamento faz parte de um ciclo conhecido. Preços baixos desestimulam o plantio, a menor oferta fortalece as cotações e a recuperação volta a incentivar área. Se a produção crescer rápido demais, o excesso pode reaparecer.”

Para a safra 2026/27, há fatores que diferenciam o cenário. Os Estados Unidos chegam com produção significativamente menor, o Mercosul ainda trabalha com perspectiva de redução de área, os estoques brasileiros já não parecem tão confortáveis, as exportações voltaram a ganhar importância e o clima adiciona incerteza durante a implantação da safra no Sul do Brasil.

Nesse contexto, a área efetivamente semeada e, depois, a produtividade devem ganhar protagonismo. O desafio está em produzir o suficiente para atender o mercado interno, manter presença nas exportações e preservar margens para produtores e indústrias, sem recriar um excesso capaz de pressionar novamente os preços, conforme avaliação de Cardoso.