Abstenção nas urnas pode definir resultado das eleições presidenciais de 2026

Analista aponta que taxa de não comparecimento cresceu de 16% em 2006 para 20,95% em 2022

Abstenção nas urnas pode definir resultado das eleições presidenciais de 2026
Série histórica mostra crescimento contínuo da abstenção nas eleições presidenciais brasileiras — Foto: É possível votar duas vezes no mesmo candidato a senador?

Com disputa apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro nas pesquisas, o não comparecimento às urnas pode ser decisivo em 2026

A abstenção nas eleições presidenciais brasileiras cresceu continuamente nas últimas duas décadas e pode definir o resultado da disputa de 2026, segundo analista de política.

Em 2006, a taxa de abstenção era de 16%, representando 21 milhões de eleitores que deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno. Em 2010, o número subiu para 24 milhões, elevando a taxa para 18%.

Em 2014, a abstenção alcançou 19,39%, com quase 28 milhões de brasileiros se abstendo de votar. Em 2018, pela primeira vez nas eleições presidenciais, a marca de 20% foi atingida, com cerca de 30 milhões de eleitores ausentes em uma disputa entre Jair Messias Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT).

Em 2022, descrita como uma eleição extremamente polarizada e disputada voto a voto, a abstenção no primeiro turno chegou a 20,95% do eleitorado brasileiro. Isso representou 32 milhões e 700 mil eleitores com título ativo que não foram às urnas. O eleitorado total já alcança 158 milhões de pessoas, o que amplia o impacto absoluto de cada ponto percentual de abstenção.

Um fenômeno observado em 2022 foi a queda na taxa de abstenção do segundo turno em relação ao primeiro. Segundo o analista, isso ocorreu porque eleitores que se abstiveram no primeiro turno decidiram comparecer ao segundo diante de um cenário polarizado.

“Quando o bicho pega e aperta, ou as pessoas têm medo, ou têm um receio, ou não querem que determinado candidato vença a eleição, aí elas entram em campo.”

Com a diferença entre os candidatos apontada como muito estreita nas pesquisas para 2026, a abstenção e o não-voto podem ser decisivos para definir o pleito. A Justiça Eleitoral busca ampliar a participação dos cidadãos, enquanto as campanhas políticas acompanham com atenção esse indicador.