Paraná lidera plantio com 28%, mas sofre paralisações e granizo. Mato Grosso acelera após chuvas, mas teme nova estiagem.

Safra de soja 2026/27 entra em outubro com ritmos desiguais: Paraná lidera com 28% do plantio, mas enfrenta granizo e excesso de chuva; Mato Grosso atinge 3,9% após precipitações.
A safra brasileira de soja 2026/27 entra em outubro com ritmos de plantio desiguais e problemas climáticos praticamente opostos entre as principais regiões produtoras do país.
No Paraná, o plantio chegou a 28% da área projetada até 29 de setembro, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). Apesar do ritmo mais avançado em relação a outras regiões, as primeiras lavouras já apresentam situações distintas. O departamento registrou atraso na germinação e menor velocidade de desenvolvimento em áreas atingidas por temperaturas mais baixas e excesso de nebulosidade. Também foram registrados danos pontuais por granizo, enquanto a elevada umidade favoreceu a presença de doenças fúngicas.
Em Mato Grosso, a situação é inversa. As precipitações melhoraram a condição de umidade em parte do estado, permitindo que o plantio acelerasse para 3,9% após a atualização divulgada pela Conab. O avanço ocorreu principalmente no Médio-Norte, Oeste e Sudeste. Porém, a distribuição das chuvas permanece irregular, e produtores ainda aguardam volumes mais consistentes antes de acelerar os trabalhos. A previsão agrometeorológica indicava risco de nova restrição hídrica em algumas áreas já implantadas.
Levantamento da AgRural divulgado em 24 de setembro mostrou que 3,4% da área brasileira estimada de soja estava semeada, contra 1,2% uma semana antes e 3,2% no mesmo período do ano passado. O Paraná aparecia isolado na dianteira do plantio nacional, enquanto Mato Grosso figurava bem atrás justamente pela irregularidade das chuvas.
O contraste climático entre as regiões ajuda a explicar por que o avanço da safra ocorre de maneira tão desigual neste início de ciclo. Produtores do Sul enfrentam paralisações e perdas pontuais por eventos extremos, enquanto os do Centro-Oeste dependem da regularização do regime de chuvas para ganhar ritmo nos trabalhos de semeadura.







