Hospital de Ponta Grossa aplica medicamento experimental contra lesão de medula

Polilaminina, desenvolvida pela UFRJ, foi usada pela primeira vez no Paraná em caráter compassivo para regenerar tecidos nervosos

Hospital de Ponta Grossa aplica medicamento experimental contra lesão de medula
Aplicação de Polilaminina no HU-UEPG ocorreu em caráter experimental. Foto: Tierri Angeluci/UEPG — A aplicação da Polilaminina no HU-UEPG ocorreu em caráter experimental e de uso compassivo (Foto: Tierri Angeluci/UEPG)

Medicamento experimental foi aplicado pela primeira vez no Paraná para estimular regeneração de tecidos após lesão grave na medula espinhal

O Hospital Universitário da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG) realizou, na quarta-feira (23 de outubro), a primeira aplicação de um medicamento experimental chamado Polilaminina no Paraná. A substância é estudada como alternativa para estimular a regeneração de tecidos e a formação de novas conexões nervosas após lesões na medula espinhal.

O medicamento foi desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Laboratório Cristália. A aplicação ocorreu em caráter experimental e de uso compassivo, modalidade em que o tratamento é avaliado e autorizado individualmente para cada paciente.

Segundo o neurocirurgião Marco Aurélio Braz de Lima, responsável pela aplicação no hospital, a medula espinhal apresenta grande dificuldade para se regenerar após uma lesão porque as células nervosas perdem as condições necessárias para se reconectar.

A Polilaminina é uma forma desenvolvida em laboratório da laminina, proteína naturalmente presente no organismo. A ideia é que a substância funcione como uma estrutura de suporte para orientar o crescimento das células nervosas na região lesionada.

Os estudos começaram em animais, incluindo roedores e cães. Em janeiro de 2026, a pesquisa recebeu autorização para iniciar a Fase 1 de testes em humanos, voltada principalmente a casos graves de lesão medular, informou a UFRJ.

Atualmente, são considerados elegíveis pacientes que tenham lesão na região torácica da medula, até 72 horas desde o trauma, déficit neurológico completo classificado como ASIA grau A e idade entre 18 e 72 anos. Novos casos precisam ser encaminhados ao laboratório responsável pelo estudo, acompanhados de relatório médico, exames de imagem e informações sobre a data da lesão. Situações que não se enquadram nos critérios dependem de autorização judicial, de acordo com os protocolos do experimento.