IPCA de 0,82% superou expectativas e mantém inflação em 12 meses acima do teto. Economistas alertam que redução da Selic dependerá de melhora fiscal e controle de preços.

IPCA de setembro atingiu 0,82%, acima da mediana de 0,76%, elevando inflação em 12 meses a 4,58%, acima do teto de 4,5%. Juros menores em 2027 exigem melhora fiscal e controle de preços.
A inflação medida pelo IPCA em setembro atingiu 0,82%, acima da mediana de 0,76% esperada, elevando o índice acumulado em 12 meses a 4,58%, novamente acima do teto de tolerância de 4,5%.
O resultado complica a aposta de economistas em juros menores para 2027. De acordo com analistas ouvidos, a redução da taxa Selic dependerá de dois testes principais: uma inflação que permita continuidade dos cortes e uma melhora das contas públicas que ultrapasse as expectativas.
A energia foi o principal componente da inflação de setembro. O fim do bônus de Itaipu retirou um desconto temporário da conta de luz, e o setor respondeu sozinho por 0,32 ponto percentual do resultado do mês, quase 40% da inflação. Alimentos voltaram a subir após três meses de queda, e combustíveis também ficaram mais caros.
Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, identifica sinais de persistência nos núcleos de inflação, medidas que reduzem a influência de oscilações pontuais. Segundo a economista, a alta dos serviços requer exame cuidadoso porque passagens aéreas, muito voláteis, influenciaram o resultado.
“O efeito temporário da energia não exige necessariamente que o Banco Central interrompa os cortes”, avalia Inhasz. Para acelerar a queda dos juros, o BC precisaria enxergar uma desaceleração mais consistente dos serviços e expectativas de inflação mais próximas da meta.
Inhasz mantém expectativa de Selic a 13,5% no fim de 2026, ante os atuais 13,75%. Para 2027, a economista evita fechar projeção, considerando que melhora da confiança pode abrir espaço para juros menores, mas aponta riscos na direção contrária: efeitos do El Niño sobre alimentos e instabilidade do petróleo.
Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, manteve estimativas após o resultado: IPCA de 5,1% em 2026 e de 4,5% em 2027. Conforme Vale, a retomada da inflação já fazia parte do cenário. Os estímulos fiscais do governo e riscos climáticos reforçam preocupação com os próximos meses.
A preocupação central entre analistas é que pressões inflacionárias nos alimentos e combustíveis alcancem outras despesas e prolonguem a inflação além do esperado, afetando a capacidade do Banco Central de reduzir juros em 2027.






