USDA eleva projeção de milho e pressiona cotações em Chicago

Relatório de oferta e demanda dos EUA surpreende mercado com números acima do esperado para a safra norte-americana de grãos

USDA eleva projeção de milho e pressiona cotações em Chicago
Relatório do USDA movimentou intensamente o mercado de grãos nesta sexta-feira

USDA surpreende com elevação nas projeções de milho e produtividade nos EUA, contrariando expectativas de analistas. Futuros desabam 4% em Chicago.

O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgado nesta sexta-feira (9 de outubro) movimentou intensamente os mercados internacionais de grãos. A principal surpresa ficou por conta do milho, cujas projeções de produtividade e produção nos Estados Unidos foram elevadas, contrariando as expectativas de analistas que aguardavam cortes diante das incertezas no avanço da colheita.

Como reflexo direto do levantamento, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) desabaram cerca de 4% na sessão, encerrando a semana com desvalorização acumulada próxima de 3,5%. Na B3, a bolsa brasileira, o cereal também operou em queda superior a 1% nos contratos principais, somando-se à pressão do recuo do dólar frente ao real.

A soja conseguiu absorver os dados com maior resiliência, fechando o pregão com leves ganhos na Bolsa de Chicago. Embora o USDA tenha registrado ajustes altistas em produção e estoques finais norte-americanos e globais, a demanda internacional manteve sustentação, com destaque para as compras contínuas realizadas pela China e a firmeza no esmagamento interno dos EUA.

Segundo Ginaldo de Sousa, diretor-geral do Grupo Laboro, “A grande surpresa hoje foi o milho. Todo o mercado esperava queda de produtividade, e o USDA aumentou, surpreendendo a todos. O milho pressionou a soja e o trigo pesadamente, mas depois a soja se recuperou e fechou em alta”.

Os fundos de investimentos realizaram fortes ajustes em suas carteiras. De acordo com Sousa, os fundos reduziram mais de 60 mil contratos no milho, enquanto aumentaram suas posições compradas na soja em mais de 10 mil contratos, demonstrando apostas divergentes para as duas culturas.

Especialistas apontam que o clima na América do Sul surge como o próximo fator determinante para os movimentos de preços das commodities agrícolas, com atenção redobrada nas próximas semanas sobre as condições de plantio e desenvolvimento das lavouras na região.