PL adia proposta de anistia a Bolsonaro para 2027 após eleições

Partido estuda melhor momento para apresentar projeto enquanto negocia comando da Câmara e Senado em fevereiro

PL adia proposta de anistia a Bolsonaro para 2027 após eleições
Ex-presidente Jair Bolsonaro em 14 de setembro de 2025. Foto: REUTERS/Mateus Bonomi — Foto: Ex-presidente Jair Bolsonaro  • 14 de setembro de 2025 REUTERS/Mateus Bonomi

O Partido Liberal avalia adiar a apresentação de proposta de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro para 2027, após as eleições para comando das Casas Legislativas.

O Partido Liberal (PL) estuda o melhor momento para apresentar uma proposta de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo interlocutores do bolsonarismo ouvidos sob reserva. As conversas se inserem em discussão mais ampla sobre a eleição para o comando da Câmara dos Deputados e do Senado, prevista para fevereiro de 2027.

Segundo esses interlocutores, talvez seja mais estratégico deixar a proposta de anistia para o próximo ano. Em 2027, o PL deve ter ao menos 28 senadores e 121 deputados federais. As bancadas expressivas eleitas pela sigla ajudam a fortalecer o projeto de poder para a disputa do comando das duas Casas, embora ainda seja necessário negociar com os demais partidos do centrão.

O foco atual do partido está em manter o favoritismo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cenário presidencial e aguardar o desfecho do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no processo da trama golpista pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2024. A condenação abrangeu os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave, além de deterioração de patrimônio tombado.

Atualmente, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília. A estratégia do PL de adiar a proposta de anistia reflete cálculos políticos em torno das negociações para as eleições das mesas diretoras das duas Casas do Legislativo federal. A sigla busca fortalecer sua posição tanto na Câmara quanto no Senado antes de apresentar qualquer medida relacionada ao ex-presidente.