PepsiCo admite queda em volume de bebidas nos EUA e promete inovação

CEO da companhia reconhece dificuldade em competir em refrigerantes tradicionais enquanto consumidor busca produtos com menos açúcar

PepsiCo admite queda em volume de bebidas nos EUA e promete inovação
PepsiCo divulgou resultados do terceiro trimestre com queda em volume de vendas. Foto: PepsiCo / Ilustração gerada por IA — Foto: Pepsico  • Ilustração gerada por IA

PepsiCo divulgou terceiro trimestre com receita em alta, mas volume de bebidas caiu na América do Norte. CEO admite fraqueza em refrigerantes.

A PepsiCo divulgou os resultados do terceiro trimestre com um alerta no mercado americano de bebidas: a receita cresceu, mas o volume vendido caiu. O desempenho ajuda a explicar a franqueza do CEO Ramon Laguarta ao falar sobre o segmento.

“Não estamos competindo bem em refrigerantes”, disse Laguarta durante a teleconferência com analistas. A companhia promete aumentar os investimentos em inovação e fortalecimento das marcas na América do Norte e prepara novos cortes de custos para financiar parte dessa reação.

O volume de bebidas da PepsiCo na América do Norte caiu 2% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 2026, o recuo chega a 3%. Ao mesmo tempo, a receita reportada da divisão de bebidas na região cresceu 5%.

O avanço, porém, veio principalmente das aquisições realizadas pela companhia em 2025. Excluídos esses efeitos, a receita orgânica ficou praticamente estável. A composição do resultado mostra como a PepsiCo conseguiu segurar o faturamento: a contribuição do volume orgânico caiu 3% no trimestre, enquanto preços e mix de produtos acrescentaram 3%.

A companhia enfrenta inflação de custos ainda elevada, tarifas de importação mais altas nos Estados Unidos e um consumidor pressionado pelo custo de vida. Tenta recuperar volume justamente quando os hábitos de consumo começam a mudar. Nos país que é o maior mercado da PepsiCo, cresce a disputa por consumidores que procuram produtos com menos açúcar, porções menores, maior teor de proteína e outros atributos associados a saúde e bem-estar.

Parte dessa mudança entra na conta do uso crescente de medicamentos GLP1, as canetas emagrecedoras. A PepsiCo não pretende abandonar os refrigerantes. Laguarta afirmou que a companhia aumentará os investimentos em marcas como Pepsi, Mountain Dew e Poppi. A presença da Poppi nessa lista é um bom indicativo do que deve vir pela frente: a PepsiCo comprou a marca de refrigerantes prebióticos em 2025 por mais de US$ 1 bilhão.

A bebida combina prebióticos, suco de frutas e vinagre de maçã e tem até cinco gramas de açúcar por porção. Quando anunciou a aquisição, a companhia relacionou a operação à transformação de seu portfólio e ao interesse crescente dos consumidores por saúde e bem-estar.