Cúpula de Segurança de SP revê protocolos da PM após três mortes em 15 dias

Reunião no Palácio dos Bandeirantes discute possível ampliação do uso de armas de choque. Capital registra 191 mortes em intervenções policiais até setembro.

Cúpula de Segurança de SP revê protocolos da PM após três mortes em 15 dias
Gustavo Munis foi morto após policiais confundirem celular com arma de fogo. Foto: Reprodução — Foto: Gustavo Munis foi morto após policiais confundirem celular com arma de fogo  • Reprodução

A cúpula da Segurança Pública de São Paulo se reúne nesta sexta para rever protocolos da PM em abordagens, especialmente em casos de surto psicológico.

A cúpula da Segurança Pública de São Paulo se reúne nesta sexta-feira (16), no Palácio dos Bandeirantes, para discutir os protocolos da Polícia Militar em abordagens, principalmente a pessoas em aparente surto psicológico.

O encontro contará com a participação do secretário da Segurança Pública Osvaldo Nico Gonçalves, do secretário executivo da pasta, coronel Henguel, e da comandante-geral da Polícia Militar coronel Glauce Anselmo Cavalli. Entre os temas em discussão está a possibilidade de compra de mais armas de choque e ampliar o uso do equipamento.

A reunião será a primeira etapa de uma discussão sobre possíveis mudanças no Procedimento Operacional Padrão (POP), que reúne as normas para orientar a atuação dos policiais em diferentes tipos de ocorrência. A intenção é rever procedimentos em vigor, alguns estabelecidos em 2014, e avaliar formas de modernizar os protocolos e ampliar a preparação dos agentes.

O encontro ocorre após três pessoas morrerem em ocorrências envolvendo policiais militares na capital paulista em menos de 15 dias. Os casos foram registrados na Vila Dionísia, em Moema e no Parque São Domingos.

Segundo dados do Ministério Público de São Paulo, foram registradas 191 mortes decorrentes de intervenções policiais entre janeiro e setembro de 2026, ante 188 no mesmo período de 2025. Esse é o maior número para os nove primeiros meses do ano desde 2020. Em 2022, foram 124 mortes; em 2023, 141; e em 2024, 176.

O secretário Osvaldo Nico Gonçalves atribuiu o aumento à intensificação do trabalho das forças de segurança. De acordo com a secretaria, a alta nos números não significa necessariamente maior letalidade policial.