Meta nega interferência nas eleições após acusação da campanha de Lula

Empresa recebeu ordem do TSE para garantir tratamento igualitário aos candidatos até o segundo turno, com multa de R$ 500 mil por descumprimento

Meta nega interferência nas eleições após acusação da campanha de Lula
Ilustração com o logotipo da Meta. Foto: REUTERS/Dado Ruvic — Foto: Ilustração com o logotipo da Meta  • REUTERS/Dado Ruvic

Meta nega ter interferido nas eleições brasileiras após campanha de Lula acionar TSE alegando tratamento desigual em relação a Flávio Bolsonaro.

A Meta negou nesta sexta-feira (16) ter interferido nas eleições brasileiras ou favorecido qualquer candidatura. A manifestação ocorre após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando tratamento desigual em relação ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).

“A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político. Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos”, afirmou a empresa em nota.

Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou que a Meta garanta tratamento igualitário às duas candidaturas até o fim do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A decisão prevê multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.

Pela determinação, a empresa não poderá reduzir a distribuição de publicações, limitar recomendações ou restringir resultados de buscas de maneira desigual entre os candidatos. A decisão permite restrições previstas em regras aplicadas igualmente às campanhas ou determinadas pela Justiça Eleitoral.

A Meta também não poderá desativar contas de anúncios das candidaturas nem restringir impulsionamentos sem revisão humana. Caso uma medida seja aplicada automaticamente, deverá ser revisada em até duas horas, com comunicação ao Tribunal.

Na decisão, Bellizze ressaltou que, até o momento, não há elementos suficientes para concluir que a empresa tenha manipulado deliberadamente a distribuição de conteúdos para favorecer ou prejudicar qualquer candidatura.

A manifestação da Meta ocorre em meio a questionamentos sobre o funcionamento de suas ferramentas de Inteligência Artificial, além de problemas relatados pela campanha de Lula na veiculação de anúncios e na contagem de visualizações de vídeos. Usuários relataram que a ferramenta Meta AI impedia a criação de imagens favoráveis a Lula, mas permitia a geração de conteúdos semelhantes em apoio a Flávio Bolsonaro.

Segundo a Meta, o problema identificado em 14 de outubro foi provocado por uma falha nos mecanismos de proteção, que impediam solicitações com os nomes completos dos candidatos, mas não reconheciam determinadas combinações de primeiros nomes e números eleitorais.